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Número de mulheres que ganham mais do que parceiro triplicou em 50 anos

Apesar da diferença salarial entre homens e mulheres no mesmo cargo ser uma realidade, o número de mulheres que têm salários maiores do que os parceiros triplicou em 50 anos, indo de 5% para 16%, segundo o mesmo estudo.

E a diferença, que já foi motivo de divórcio, tem afetado menos os casamentos, segundo pesquisadoras das universidades da Pensilvânia e Wisconsin-Madison, nos Estados Unidos. Enquanto nas décadas de 1960 e 1970 a probabilidade de divórcio em caso da mulher ganhar mais chegava a 70%, na década de 1990 esse número caiu para 4%.

Para a terapeuta de casal Lelah Monteiro, o comportamento da mulher que tem um salário melhor também mudou: ela se sente menos acuada por seu poder financeiro. Mas isso não quer dizer que os homens ainda não se sintam afetados.

“Ainda existe um preconceito estruturado onde o homem deveria bancar a casa e ganhar mais”, explica Lelah, que afirma já ter visto cenas como o homem pagando a consulta com o cartão da mulher, mas digitando a senha no lugar dela.

Eles não aceitam bem

A revista científica americana Personality and Social Psychology Bulletin publicou um estudo, digamos, um tanto absurdo. No levantamento, homens diziam que para eles, o ideal era que as mulheres ganhassem 40% do dinheiro total do relacionamento, deixando para eles os outros 60%.

Lelah diz que alguns casais depositam seus salários na mesma conta, transformando o valor no ‘dinheiro da família’, pois dessa forma, a quantidade maior recebida pela mulher fica diluída. Contudo, a melhor maneira de evitar ruídos e inseguranças segue sendo o diálogo.

“Não precisa se separar de quem se gosta. Tem muito ciúme, preconceito, e o homem pode se afastar por medo, por defesa, porque não se acostumou com essa autonomia. Por isso é importante saber se posicionar”, conta.

Cris Guterres: ‘Homem aprendeu a vida inteira que é o provedor e domina funções econômicas’

O Sem Filtro destacou os números trazidos pela pesquisa do Pew Research Center e a jornalista Cris Guterres destacou a dificuldade que homens geralmente têm em aceitar que, por exemplo, uma mulher pague sua conta.

“O homem aprendeu a vida inteira que ele é o provedor e que domina as funções econômicas da casa. Ele tem uma dificuldade muito grande de desconstruir esse castelo que foi construído na mente dele”, Cris Guterres.

Ainda para ela, o dinheiro é apenas um dos inúmeros componentes de uma relação e, por isso, a questão financeira pode ser equilibrada de outras formas. “Posso ganhar mais mas estar em um relacionamento com um homem que cuide da casa, cuide dos filhos e faça outras entregas. Não tem problema estar em um relacionamento com uma mulher que ganha mais”, disse.

Já para a jornalista Cris Fibe, há muitos sinais de machismo e toxicidade que os homens mostram em função de sua socialização. Nesses casos e aos mínimos sinais, ela destacou que um alerta já é aceso. .

“Acho que tem sinais da socialização e eles são criados para acreditarem que não são bons homens se não sustentarem [a mulher]. Tem sinais de alerta de graus de machismo tóxico e fico atenta aos sinais como, por exemplo, querer escolher sua comida ou seu drink sem perguntar o que você quer”, Cris Fibe.

Fonte: Universa/UOL

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