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‘Quartou’! Empresa em SP adota semana de 4 dias, mas CEO fica de fora: ‘Não dá’

A empresa de tecnologia NovaHaus adotou em definitivo a semana de quatro dias de trabalho após um levantamento interno apontar melhoras na produtividade e qualidade de vida dos funcionários. Mas nem todos lá dentro conseguem participar.

Como funciona a jornada de 4 dias

A redução da jornada começou como um projeto piloto em março de 2022. Com 15 anos de história, a empresa que faz sites e softwares para clientes como Gol e Ambev decidiu testar a mudança. Quatro meses depois, veio a resposta definitiva: as quartas-feiras seriam livres.

Segundo a empresa, a escolha deste dia foi para não criar um fim de semana prolongado. Mas, para muitos funcionários, eles acabaram “ganhando” dois fins de semana.

A NovaHaus concretizou a quarta livre em Franca (SP) e São Paulo. O escritório do interior de São Paulo concentra a maior parte da equipe. Na capital paulista ficam o CEO, Leandro Pires e Silva, e mais duas funcionárias. De acordo uma análise interna, a produtividade no trabalho em relação à carga horária cresceu 13% com a redução da jornada.

A jornada diária é de 8 horas e 22 minutos, com 1 hora e meia de almoço. No total, cerca de 70 funcionários têm a quarta-feira livre, incluindo os times de programação, design, experiência do usuário (UX), RH, financeiro e outros folgam na quarta. Trabalhadores de limpeza e segurança, contratados pela empresa, assim como estagiários, também têm direito ao benefício.

A semana reduzida vale quase para todo mundo. Só ficam de fora os cinco sócios e a equipe de atendimento ao cliente. Os quatro funcionários do departamento estão baseados em Franca e recebem, porém, uma compensação. Trabalham ao longo da semana em horário reduzido, de 6 horas e 40 minutos por dia (cerca de 34 horas semanais) —a mesma jornada semanal de quem tem a quarta-feira livre.

Os cinco sócios, que incluem o CEO, não conseguem ficar sem trabalhar toda quarta-feira. Pires e Silva afirma que às vezes liga o computador até nos finais de semana, principalmente para alinhar as estratégias da operação da companhia nos Estados Unidos. Em junho, a companhia estreou sua operação no exterior, com uma sucursal em Nova York (EUA).

“Eu gostaria, com certeza [de trabalhar quatro dias por semana]. Tenho dois filhos e aproveitar o tempo com eles seria muito bom. Assim que a operação de Nova York estiver azeitada, eu vou descansar um pouco. Mas não dá para os sócios fazerem [jornada reduzida] permanentemente”, Leandro Pires e Silva, CEO da NovaHaus.

Dois ‘sextou’ na semana

Da esquerda para a direita: Leandro César, Letice Borges e Gabriel Jesus, funcionários da NovaHaus
Da esquerda para a direita: Leandro César, Letice Borges e Gabriel Jesus, funcionários da NovaHausImagem: Divulgação

Pires e Silva diz que a semana mais curta traz equilíbrio na vida profissional e pessoal. Segundo ele, a Novahaus tem conseguido reter os funcionários em um mercado de alta rotatividade como o de tecnologia.

Com a carga horária reduzida, a empresa não cortou os salários. A NovaHaus também dá um vale-cultura de R$ 400 que pode ser usado em cinemas, teatros e shows, e assinaturas de serviços de streaming.

Para além do discurso institucional, os funcionários aprovam mudança. O UOL ouviu três trabalhadores que afirmam ter hoje melhor qualidade de vida. Eles aproveitam a folga semanal para descansar, estudar ou passar mais tempo com os filhos.Publicidade

É unanimidade que a quarta-feira livre ajuda a dar um gás a mais para o restante da semana. No escritório, os funcionários geralmente brincam que agora têm dois “sextou”, em referência à celebração da chegada da sexta-feira.

O que dizem os funcionários

“Antes, eu ficava exausto e hoje eu fico mais ‘de boa’ no fim do dia. Às sextas eu não fico mais cansado como antigamente […] A quarta-feira é o dia em que eu posso dormir sem ter hora para acordar. E ainda consigo estudar em casa”, Leandro César, 23, desenvolvedor web, com quatro anos de casa.

“A quarta-feira é exclusiva para os meus filhos. Acordo cedo, levo e busco na natação, às vezes consigo colocar uma série em dia. Só de fazer a pausa eu sinto que a criatividade deslancha rapidamente. Hoje, [quinta-feira, 22 de junho] eu cheguei e resolvi um projeto em andamento muito mais rápido”, Letice Borges, 37, líder de UI (User Interface), tem 12 anos na NovaHaus.

“Quando eu entrei aqui, fiquei preocupado de chegar à quarta-feira [dia de folga] e pensar no que tenho para fazer no trabalho na quinta-feira. Mas logo essa chave vira e eu consigo aproveitar esse intervalo para descansar”, Gabriel Jesus, 21, estagiário de desenvolvimento, entrou em novembro de 2022.

Fonte: UOL

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