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Valor do salário mínimo já não dá para comprar uma cesta básica em São Paulo

Foto: Roberto Parizotti

O poder de compra das famílias brasileiras, em especial aquelas que têm renda de apenas um salário mínimo (R$ 1.212), está cada vez mais corroído por causa dos altos preços dos alimentos, que mesmo num mês de deflação como julho (-0,68%) tiveram reajuste de 1,30% no período.

Com o fim da política de reajuste do salário mínimo acima da inflação, feita por Jair Bolsonaro (PL), desde 2019, quando assumiu a presidência da República, os brasileiros têm cada vez mais dificuldades em se alimentar. Hoje 33 milhões passam fome e outros 125 milhões de brasileiros não têm comida no prato nas três refeições diárias recomendadas.

Para piorar, desde maio deste ano, o valor de uma cesta básica está custando acima do salário mínimo, na capital paulista. A cesta com 39 itens de necessidade contendo alimentação, higiene pessoal e limpeza, para uma família de quatro pessoas, custa mais do que os R$ 1.212, de acordo com o levantamento mensal feito pelo Núcleo de Inteligência e Pesquisas do Procon-SP em convênio com o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

A alta foi em julho em relação a junho foi de 1,24%, subindo de 1.251,44 para R$ 1.266,92. Ou seja, uma cesta básica que contenha itens dos grupos de alimentação, limpeza e higiene pessoal está custando R$ 54,92 a mais do que o valor do salário mínimo atual.

Inflação da cesta básica

Em janeiro deste ano o salário mínimo comprava uma cesta básica e sobravam R$ 112,02. Somente nos sete primeiros meses deste ano, o custo da cesta aumentou 16,4%, contra uma inflação calculada em 9,33% no período.

As perdas vêm sendo grandes desde setembro de 2019, quando o piso salarial era de R$ 998, suficiente para comprar a cesta, que valia R$ 739,07, sobrando R$ 258,93 para o trabalhador. Ao somar os R$ 54,92 que faltavam para o atual salário mínimo adquirir uma cesta básica no mês passado, a perda é de R$ 313,85, destacou, em análise feita para o jornal Valor, Fernando Montero, ex-secretário-adjunto de Política Econômica do antigo Ministério da Fazenda.

Valor da cesta em 2022

Somente nos sete primeiros meses deste ano, o custo da cesta aumentou 16,4%, contra uma inflação calculada em 9,33% no período.

Nos últimos doze meses, de julho de 2021 a julho de 2022, a alta dos alimentos foi de 18,98%. Os três produtos com maior variação positiva anual foram: cebola Kg (85,58%), batata Kg (80,63%) e leite UHT litro (71,90%).

Confira os produtos que mais subiram em julho e as maiores quedas

Os preços mais altos foram encontrados nos itens do grupo limpeza com 2,29%; a alimentação também continua em alta, + 1,37%. A única queda foi no grupo higiene pessoal com menos 2,47%.

Apesar da alimentação não ter subido mais do que a limpeza, os três itens que mais subiram, em geral, foram o leite e seus derivados.

  • Leite UHT (litro) 24,82%
  • Queijo Muçarela Fatiado (kg) 15,39%
  • Leite em Pó Integral (400g) 11,02%
  • Papel Higiênico Fino Branco (com 4 unidades) 7,89%
  • Sabão em Barra (unidade) 6,38%

E as maiores quedas foram:

  • Batata (kg) -18,25%
  • Sabão em Pó (kg) -8,50%
  • Carne de Primeira (kg) -4,92%
  • Presunto Fatiado (Kg) -4,24%
  • Óleo de Soja (900 ml) -4,09%

Os itens pesquisados são:

Alimentação
Arroz (5 kg)                                                                                                                  Feijão Carioquinha                                                                                      Açúcar Refinado (kg)
Café em Pó (500g) 
Farinha de Trigo (kg) 
Farinha de Mandioca Torrada 
Batata (kg) 
Cebola (kg) 
Alho (kg) 
Ovos Brancos (dúzia) 
Margarina (250g) 
Extrato de Tomate 
Óleo de Soja (900 ml)
Leite em Pó Integral (400g) 
Leite UHT (litro) 
Pão de Forma 
Pão Francês (Kg) 
Macarrão com Ovos (500g) 
Biscoito Maisena (pacote 200g)                                                                                    Biscoito Recheado 
Biscoito Água e Sal 
Carne de Primeira (kg) 
Carne de Segunda sem Osso (kg) 
Frango Resfriado Inteiro (kg)
Salsicha Avulsa (kg) 
Linguiça Fresca (kg) 
Queijo Muçarela Fatiado (kg) 
Presunto Fatiado (Kg) 

Limpeza
Sabão em Pó (kg) 
Sabão em Barra (unidade) 
Água Sanitária (litro) 
Amaciante (2 litros) 
Detergente Líquido (500 ml) 
Limpador Multiuso 

Higiene Pessoal
Papel Higiênico Fino Branco (com 4 unidades)
Creme Dental (tubo 90g) 
Sabonete (unidade 90g) 
Desodorante Spray (90/100 ml) 
Absorvente Aderente (com 10 unidades)

Veja aqui o resultado da pesquisa na íntegra

Fonte:  Redação CUT 

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