Oito em cada dez reajustes salariais no Brasil ficaram acima da inflação em 2025, de acordo 21.510 reajustes salariais analisados pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). Embora seja o terceiro ano seguido de reajustes acima da inflação, o resultado foi inferior ao dos anos de 2024 e em 2023.
Em 2025, 77,7% dos reajustes analisados ficaram acima da inflação. O percentual de reajustes iguais à inflação foi de 14,1%, enquanto 8,2% ficaram abaixo da variação dos preços.
Em média, os aumentos ficaram 0,87% acima da inflação, resultado pior que nos anos anteriores. Em 2024, os reajustes ficaram 1,25% acima da inflação e, em 2023, essa diferença foi de 1,70%.
Ainda assim, o resultado foi melhor do que os aumentos entre 2018 e 2022. De 2020 a 2022, por exemplo, o poder de compra do brasileiro caiu 1,72%.
Reajuste salarial em relação à inflação nos últimos anos:
- 2025: 0,87%
- 2024: 1,25%
- 2023: 1,70%
- 2022: -0,68%
- 2021: -0,90%
- 2020: -0,14%
- 2019: 0,22%
- 2018: 0,75%
“A piora [em 2025] não é significativa a ponto de indicar mudança no comportamento das negociações coletivas, o qual se mantêm em padrão favorável desde 2023”, Dieese.
O Dieese comparou os reajustes com a inflação medida pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), que foi de 3,9% em 2025. Enquanto o INPC mede a variação de custo de vida das famílias com renda mensal de um a cinco salários mínimos, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) —que foi de 4,26% no ano passado— reflete o consumo de quem ganha até 40 salários. Como o INPC foca em famílias mais afetadas por preços de itens básicos, ele é o índice oficial utilizado para reajuste salarial, de aposentadoria e da cesta básica.
Serviços lideram aumento
A variação real média em serviços ficou 0,94% acima da inflação. A menor variação real média foi no comércio: 0,70%:
- Serviços: 0,94% acima da inflação
- Indústria: 0,86%
- Rural: 0,83%
- Comércio: 0,70%
Sudeste e Centro-Oeste concederam reajustes maiores:
- Sudeste: 0,98% acima da inflação
- Centro-Oeste: 0,82%
- Sul: 0,81%
- Nordeste: 0,76%
- Norte: 0,75%
Quem trabalha em serviços tem piso salarial médio maior:
- Serviços: R$ 1.980
- Indústria: R$ 1.847
- Rural: R$ 1.778
- Comércio: R$ 1.771
Inflação foi maior para ricos
A inflação média foi maior para ricos do que para pobres em 2025. A inflação —agora pelo IPCA— foi de 3,8% para famílias de renda muito baixa e de 4,7% para aquelas com renda alta, segundo o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).
O motivo foi a inflação menor para alimentos. A inflação para comer em casa foi de 1,43%, muito em razão da supersafra do campo em 2025. O gasto com alimentos consome 30% da renda dos mais pobres.
A inflação foi maior para os ricos por causa de serviços. Os 6,01% da inflação de serviços no ano passado foram puxados pelos preços para se locomover em carro por aplicativo, 56% mais caro em 2025.