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Centrais sindicais lançam nova Pauta da Classe Trabalhadora em Brasília

A Marcha das Centrais Sindicais lançou a Pauta da Classe Trabalhadora como base para futuras discussões políticas no Brasil.

Em um movimento de unidade, as principais centrais sindicais do país — CUT, Força Sindical, UGT, CSB, Nova Central, CTB, Intersindical e Pública — apresentaram nesta terça-feira, 15 de abril, durante a Marcha da Classe Trabalhadora, em Brasília, a Pauta da Classe Trabalhadora – CONCLAT 2026–2030. O documento reúne as prioridades para o próximo quadriênio e servirá de base para o diálogo com os poderes Executivo e Legislativo .

A mobilização reuniu representantes das centrais e sindicatos de todo o país e marcará a entrega formal da pauta ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

A agenda está estruturada no eixo “desenvolvimento com trabalho decente” e combina diagnóstico da conjuntura, balanço recente e propostas para enfrentar desigualdades, precarização e desafios do mundo do trabalho.

Redução da jornada está entre prioridades

Entre as principais bandeiras para mobilização imediata em 2026, o movimento sindical destaca a proposta de redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, sem redução de salários, e o fim da escala 6×1.

A pauta inclui ainda:

  • valorização do salário mínimo, com meta de atingir 60% do salário médio até 2030;
  • regulamentação do trabalho por plataformas digitais, com garantia de direitos;
  • combate à pejotização e às fraudes trabalhistas;
  • inclusão do combate ao feminicídio nas negociações coletivas;
  • fortalecimento da negociação coletiva e das entidades sindicais.

Segundo o documento, essas medidas são essenciais para enfrentar a precarização e reorganizar as relações de trabalho no país .

Documento aponta transformações globais e riscos ao trabalho

A pauta parte de um diagnóstico de mudanças no cenário internacional, marcado por transformações tecnológicas, crise climática e reorganização econômica global.

O texto alerta que a expansão da inteligência artificial e das plataformas digitais, quando desregulada, pode eliminar postos de trabalho e ampliar formas precárias de contratação. Também defende a adoção de uma “transição justa”, que combine políticas ambientais com geração de empregos de qualidade.

No plano político, o documento associa o período recente à reconstrução democrática e social iniciada em 2023, após retrocessos observados entre 2016 e 2022 .

Projeto propõe reindustrialização e mudança na política econômica

Para o período de 2027 a 2030, a pauta apresenta um conjunto de propostas estruturais que apontam para um novo modelo de desenvolvimento.

Entre os principais eixos estão:

  • reindustrialização, com base na política Nova Indústria Brasil (NIB);
  • ampliação de investimentos em ciência, tecnologia e inovação;
  • reforma tributária progressiva, incluindo taxação de grandes fortunas;
  • fortalecimento de empresas públicas e setores estratégicos;
  • proteção da produção nacional e incentivo às cadeias produtivas.

O documento também defende mudanças na política econômica, com destaque para a redução da taxa básica de juros e o enfrentamento do rentismo, apontado como fator de concentração de renda e obstáculo ao crescimento.

Direitos sociais e redução do custo de vida entram na pauta

Além das questões produtivas, o texto amplia o debate para direitos sociais e condições de vida da população.

Entre as propostas estão:

  • ampliação do acesso à moradia;
  • implementação da tarifa zero no transporte coletivo;
  • fortalecimento do SUS;
  • universalização do saneamento básico;
  • expansão de creches e escolas em tempo integral.

A pauta também enfatiza políticas de igualdade, inclusão produtiva e combate à discriminação no mercado de trabalho.

Movimento sindical busca fortalecer representação e negociação

Outro ponto central do documento é o fortalecimento do movimento sindical. As centrais defendem mecanismos de financiamento definidos em assembleia, combate a práticas antissindicais e ampliação da negociação coletiva como instrumento de regulação das relações de trabalho.

A proposta inclui adaptar a representação sindical às novas formas de contratação e evitar a fragmentação da organização dos trabalhadores.

Documento articula projeto de país

Pauta da Classe Trabalhadora – CONCLAT 2026–2030 posiciona o movimento sindical não apenas como defensor de direitos, mas como formulador de um projeto nacional de desenvolvimento.

O documento propõe articular crescimento econômico, inovação, sustentabilidade ambiental e justiça social, tendo como eixo a geração de empregos de qualidade e a redução das desigualdades.

Segundo as centrais, o período até 2030 será decisivo para consolidar avanços, enfrentar desafios estruturais e redefinir o papel do trabalho no desenvolvimento do país.

Veja aqui a Pauta da Classe Trabalhadora – CONCLAT 2026–2030

Fonte: Rádio Peão Brasil