Sindicato dos Empregados de Agentes Autônomos do Comércio e em Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas e de Empresas de Serviços Contábeis de Campinas e Região

Bets viram alvo nas eleições e tiram até R$ 141 bilhões do PIB, diz estudo

As bets entraram de vez na agenda das eleições deste ano.

Às vésperas do primeiro turno, o presidente Lula estuda a edição de uma Medida Provisória (MP) “drástica”, em suas próprias palavras, para conter o avanço das apostas online e remediar os impactos sobre a saúde e o orçamento dos brasileiros.

O candidato do PT sabe que a ideia de apertar o cerco contra as bets tem apelo eleitoral e atende a uma ampla gama de setores da sociedade — de lideranças evangélicas preocupadas com a desestruturação familiar provocada pelo vício em jogos a economistas intrigados com os efeitos negativos dessas plataformas digitais sobre o PIB.

Um estudo recentemente publicado pelo Made/USP (Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades da Universidade de São Paulo), de autoria do pesquisador Guilherme Klein, estima que as bets tenham retirado até R$ 141 bilhões da atividade econômica do país no ano passado.

A explicação para a cifra é simples: redução do consumo. Em português claro, as pessoas estariam deixando de comprar itens básicos do dia a dia e usando o dinheiro em apostas.

Assim como o fenômeno do endividamento galopante atinge sobretudo os mais pobres, a epidemia das bets também estrangula o orçamento da base da pirâmide social do Brasil.

Três a cada quatro pessoas que apostam regularmente no país têm renda familiar de até cinco salários mínimos. As que se situam na faixa de até dois salários mínimos representam 43% dos apostadores, revelam dados de pesquisa encomendada pela Febraban (Federação Brasileira dos Bancos).

Mesmo a arrecadação para os cofres públicos gerada pelo mercado das bets — algo em torno de R$ 9 bilhões ao ano — seria amplamente superada pelos tributos que deixam de ser recolhidos em função da queda do consumo provocada pelo uso do orçamento doméstico para as apostas, diz o Made/USP.

O impacto de 1% sobre o PIB decorrente da transferência de recursos financeiros das famílias para as plataformas de apostas online produz uma perda de arrecadação de até R$ 46 bilhões para o Estado brasileiro.Continua após a publicidade

Outro estudo recente, coordenado pelo professor Sérgio Firpo, do Insper, mostra que o número de pessoas que deixaram de pagar as contas após entrarem no mundo das apostas é 20% superior ao dos inadimplentes que não usam bets, como mostra reportagem da Folha de S. Paulo.

Em mais de uma oportunidade, Lula já defendeu a proibição das bets. Mas a ostensiva presença dessas plataformas no cotidiano dos brasileiros e na economia do país — clubes de futebol que o digam — não parece sugerir uma medida “drástica” nesse sentido.

De todo modo, há diversas opções no cardápio: da proibição das propagandas, passando pela limitação de valores para apostas, até a criação de programas de saúde e assistência social para atender pessoas compulsivas pelo jogo.

Resta saber o tamanho da briga que Lula, em campanha por um quarto mandato, vai resolver encarar contra um segmento econômico cada dia mais poderoso. Até porque a frente de batalha pode ser explorada pela oposição como mais uma medida de oportunismo eleitoreiro, ao melhor estilo “por que só agora?”.

Fonte: Carlos Juliano Barros, colunista do UOL

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