A percepção dos brasileiros sobre o impacto das ações do governo federal na área da saúde apresenta saldo positivo para a gestão do presidente Lula. De acordo com pesquisa BTG/Nexus, 32% dos eleitores afirmam que os serviços de saúde utilizados por eles e suas famílias melhoraram por influência direta do governo federal, enquanto 27% atribuem à atuação governamental uma piora no atendimento.
Outros 31% dizem que a situação da saúde permaneceu igual. O levantamento mostra ainda que 5% perceberam piora, mas sem responsabilizar o governo federal, e 3% identificaram melhora por fatores independentes da gestão. Outros 2% não souberam responder. A margem de erro é de dois pontos.
A percepção mais favorável às ações federais na saúde está concentrada principalmente no Nordeste, entre os mais velhos e entre brasileiros com menor nível de escolaridade.
Por lá, 45% dos entrevistados afirmam que a saúde melhorou por influência do governo federal, enquanto 21% avaliam que houve piora provocada pela gestão.
Também há vantagem expressiva entre os entrevistados sem religião: 41% atribuem melhora ao governo, contra 16% que identificam piora. Entre pessoas com ensino fundamental, a avaliação positiva chega a 39%, enquanto 22% apontam deterioração dos serviços em razão da atuação federal.
O governo também registra saldo favorável entre os eleitores com mais de 60 anos. Nesse grupo, 37% dizem ter percebido melhora na saúde por influência da administração federal, ante 25% que relatam piora.
Já entre os entrevistados com renda de um a dois salários mínimos, os percentuais são de 36% de avaliação positiva e 26% de negativa. Resultado semelhante aparece entre os que estão fora da população economicamente ativa, segmento em que 36% atribuem melhora ao governo e 24% apontam piora.
Sul e evangélicos concentram avaliações mais negativas
O cenário se inverte de forma mais acentuada no Sul. Apenas 15% dos entrevistados da região afirmam que os serviços de saúde melhoraram por influência do governo federal, enquanto 32% dizem que houve piora provocada pela gestão.
Entre os eleitores evangélicos, a percepção negativa também supera a positiva: 34% atribuem ao governo uma piora na saúde, contra 25% que reconhecem melhora.
No mercado de trabalho formal, a diferença é menor, ainda desfavorável à administração federal, mas dentro da margem de erro. Entre integrantes da população economicamente ativa formal, 27% afirmam que a saúde melhorou por influência do governo e 29% dizem ter registrado pioram.
Escolaridade reduz diferença entre avaliações
Nos níveis mais altos de escolaridade, a disputa entre percepções positivas e negativas é mais equilibrada. Entre os entrevistados com ensino médio, 28% atribuem melhora ao governo federal e 29% apontam piora, um empate na margem.
E entre aqueles com ensino superior, há empate numérico: 28% dizem que as condições de saúde melhoraram por influência da gestão federal e outros 28% afirmam que pioraram.
“Diferente de áreas como segurança pública e poder de compra, nas quais a pressão do custo de vida e da violência gera desgaste, a saúde firma-se como um pilar de sustentação para a imagem do governo federal”, aponta Marcelo Tokarski, CEO da Nexus.
“O saldo positivo de cinco pontos percentuais no cenário nacional é impulsionado por avanços percebidos no Nordeste, entre os idosos e nas faixas de menor renda, que dependem diretamente do atendimento no SUS e de programas de fornecimento de medicamentos. Contudo, o ceticismo na classe média escolarizada e a rejeição acentuada na região Sul mostram que a percepção de filas e gargalos na rede pública ainda limita um reconhecimento mais amplo da gestão.”