O governo federal solicitou o bloqueio de 13.241 sites ilegais de apostas desde 25 de setembro.
Além dos sites, o governo pediu a remoção de milhares de páginas e perfis ligados a apostas ilegais nas redes sociais. Dario Durigan, ministro da Fazenda, disse que páginas, perfis, canais, grupos e servidores atingiam mais de 17 milhões de usuários.
Em 6 de outubro, primeiro dia sem as plataformas autorizadas em funcionamento, R$ 1,325 bilhão aguardava devolução. O valor pertence a cerca de 26,5 milhões de apostadores e permanecia nas contas das empresas autorizadas.
O prazo para os usuários retirarem os recursos voluntariamente terminou às 23h59 de segunda-feira, 5 de outubro. As empresas têm até esta quarta-feira, 7 de outubro, para informar às instituições financeiras os saldos de cada usuário, identificados pelo Cadastro de Pessoas Físicas (CPF), e a conta usada nos depósitos.
Saldos estão concentrados em poucos apostadores
Durigan afirmou que cerca de 1% dos apostadores, aproximadamente 200 mil pessoas, concentra 80% do saldo pendente. Segundo o ministro, 3,4% dos usuários reúnem cerca de 90% dos recursos que ainda serão devolvidos.
O ministro disse que a maior parte dos apostadores tem saldo baixo nas plataformas. “A grande maioria dos apostadores tem saldo muito pequeno”, declarou.
O governo também pretende investigar cerca de 40 contas com saldos acima de R$ 500 mil ou R$ 1 milhão. A apuração vai verificar possível lavagem de dinheiro e eventuais vínculos com organizações criminosas.
A suspensão das atividades segue as regras da Medida Provisória nº 1.394/2026. A norma estabelecida pelo Executivo “proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas no país”.
O prazo para a retirada voluntária do dinheiro acabou na segunda-feira (5). A partir de agora, “as empresas terão até quarta-feira (7) para encaminhar às instituições financeiras os saldos remanescentes de cada apostador”, discriminados por CPF.
O governo federal constatou que quase todas as bets cumpriram o bloqueio imediato. Dos 188 sites autorizados a operar até então, apenas um seguia ativo no primeiro dia da proibição, mas o bloqueio deste já foi solicitado pelas autoridades brasileiras.
Os bancos farão o pagamento do saldo restante diretamente nas contas dos usuários. O repasse vai ocorrer entre os dias 9 e 14 de outubro “conforme a conta bancária utilizada para os depósitos”.
Devolução e suspeita de crime
Mais de R$ 1,3 bilhão ainda precisa ser devolvido aos clientes das plataformas. Segundo a SPA (Secretaria de Prêmios e Apostas), do Ministério da Fazenda, “R$ 1,325 bilhão ainda aguarda devolução, e cerca de 26,5 milhões de apostadores têm saldo”.
Milhões de contas ativas possuem valores inferiores a um real. Ao todo, são 86,2 milhões de contas com saldo de centavos, o que ajuda a explicar a quantidade de dinheiro esquecida.
Contas com saldos elevados serão alvo de uma devassa do governo. O Ministério da Fazenda informou que esses perfis “serão investigadas para apurar eventual lavagem de dinheiro e possíveis vínculos com organizações criminosas”.
Valores esquecidos ou travados terão um destino específico após o prazo bancário. Se houver qualquer impedimento para a restituição do dinheiro na conta de origem, os saldos serão transferidos para a Caixa Econômica Federal a partir do dia 14 de outubro.
O governo estima que centenas de milhões de reais podem voltar à economia real. “A gente já tinha identificado entre R$ 600 milhões e R$ 650 milhões por dia que saiu da poupança popular e ia para as apostas, dinheiro da economia real, que passa a ficar com as famílias”, afirmou o ministro da Fazenda, Dario Durigan, em coletiva de imprensa.
A grande maioria dos apostadores que ainda não resgataram o dinheiro tem saldo muito pequeno na conta. “Um por cento, algo como 200 mil apostadores, representam 80% do saldo que hoje está pendente de ser resgatado nas apostas até então autorizadas, e 3,4% dos apostadores representam 90%”, afirmou o ministro.
Outras contas, com valores muito altos, são objeto de investigação. Algumas “têm um volume muito grande de ainda saldo remanescente, acima de R$ 500 mil, acima de R$ 1 milhão. Esses já estão sob investigação para a gente poder evidenciar (…) se há lavagem de dinheiro”, disse Durigan.
“São cerca de 40 contas que a gente segue investigando, porque tem um volume muito desproporcional ao que a gente vê no restante das contas”, Dario Durigan, ministro da Fazenda.
Sites ilegais
As autoridades brasileiras derrubaram mais de 13 mil páginas clandestinas de jogos. Entre 25 de setembro e 6 de outubro, 13.241 sites ilegais foram encaminhados para bloqueio pela SPA e pelo Ministério da Justiça.
O governo também mandou apagar milhares de contas de redes sociais ligadas às bets. Foi solicitada a “remoção de 3.552 páginas, perfis, canais, grupos e servidores” em plataformas como Facebook, Instagram, TikTok e Telegram.
O alcance dos canais suspensos passava de 17 milhões de usuários. O governo monitora o cumprimento das medidas para impedir que novas páginas burlem as proibições vigentes de publicidade de apostas.