Sindicato dos Empregados de Agentes Autônomos do Comércio e em Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas e de Empresas de Serviços Contábeis de Campinas e Região

Mulheres empreendedoras enfrentam preconceito e buscam capacitação

Preconceito, falta de credibilidade e dificuldade para conciliar trabalho e família estão entre as principais barreiras apontadas por mulheres que empreendem no Brasil. Ao mesmo tempo, elas recorrem à capacitação, às ferramentas digitais e às redes de apoio para desenvolver seus negócios. É o que mostra o estudo Empreendedorismo 2026, realizado pelo Consumer Insights UOL.

Preconceito é principal barreira

Entre mulheres entrevistadas, 84% reconhecem que enfrentam desafios específicos ao empreender. Quando questionadas sobre quais seriam essas dificuldades, 61% apontam preconceito e falta de credibilidade, enquanto 56% citam a exaustão provocada pela dupla jornada e pelas responsabilidades familiares.

Percepção é especialmente forte entre as mais jovens. Entre as empreendedoras da Geração Z, 70% apontam a existência de desafios específicos.

Falta de apoio também aparece entre os obstáculos. 46% mencionam a ausência de redes de apoio, enquanto 45% citam falta de incentivo ou suporte e 39% apontam dificuldades para acessar investimentos.

Levantamento mostra que as barreiras percebidas pelas empreendedoras não estão restritas à gestão do negócio. Elas também envolvem credibilidade, acesso a recursos e conciliação entre atividade profissional e vida pessoal.

Capacitação para crescer

Diante desse cenário, capacitação aparece como uma das principais ferramentas utilizadas pelas empreendedoras. 55% das mulheres afirmam buscar frequentemente cursos de gestão, índice superior ao observado entre os homens. No conjunto da pesquisa, a educação também aparece como um setor especialmente relevante para o público feminino: 56% das mulheres consideram educação essencial para a rotina do negócio, contra 42% dos homens.

Busca por formação não fica apenas no plano da intenção. Cerca de 60% das mulheres já participaram de programas de capacitação ou apoio ao empreendedorismo, segundo o levantamento.

Entre as instituições de ensino e capacitação avaliadas, o Sebrae aparece como principal referência. O estudo aponta que 51% do público geral já fez algum curso da instituição, que também se destaca entre as mulheres.

Redes sociais nas vendas

Capacitação vem acompanhada de uma forte presença no ambiente digital. 63% das empreendedoras dizem usar frequentemente redes sociais e internet para vender, percentual acima do registrado entre os homens.

Entre as ferramentas específicas, WhatsApp Business é considerado indispensável para 67% das mulheres, contra 54% dos homens. O Canva também apresenta uma diferença significativa: 49% das empreendedoras consideram a ferramenta indispensável para o negócio, ante 29% dos empreendedores homens.

Uso das plataformas também aparece na busca por informação. YouTube e Instagram estão entre os principais canais utilizados pelos empreendedores para acompanhar novidades e obter informações para administrar os negócios, com destaque para a participação feminina nesses meios.

Apoio específico

Percepção das barreiras ajuda a explicar por que as iniciativas voltadas especificamente às mulheres têm forte aprovação entre as empreendedoras. 92% consideram importantes ou muito importantes iniciativas voltadas ao empreendedorismo feminino.

Pesquisa mostra ainda que esse apoio é visto de diferentes formas. Programas de capacitação específicos, redes de apoio, mentorias, eventos de networking e políticas de incentivo aparecem entre as iniciativas com alto grau de concordância entre as entrevistadas.

O estudo também destaca a importância atribuída a redes que ajudem a conciliar maternidade e vida familiar com a gestão do negócio. Esse ponto é especialmente relevante porque a dupla jornada aparece como a segunda principal barreira apontada pelas mulheres, atrás apenas do preconceito e da falta de credibilidade.

O que elas esperam do futuro

Apesar das dificuldades, a pesquisa mostra que a trajetória feminina no empreendedorismo não é marcada apenas por obstáculos. Entre os sentimentos associados à jornada, otimismo e realização aparecem com força entre as empreendedoras. O estudo aponta índices superiores entre mulheres nesses dois sentimentos, enquanto o medo de falhar também aparece com maior intensidade nesse grupo.

Quando olham para os próximos cinco anos, as respostas espontâneas das empreendedoras indicam ambições relacionadas a crescimento, rentabilidade, reconhecimento, expansão e melhoria da qualidade de vida. Como se trata de pergunta aberta, esses relatos devem ser entendidos como manifestações espontâneas, e não como percentuais representativos da população pesquisada.

Metodologia

O estudo Empreendedorismo 2026 foi realizado pelo Consumer Insights UOL com a base de respondentes da MindMiners (aplicativo MeSeems). Foram entrevistadas 1.300 pessoas, sendo 650 homens e 650 mulheres, com 18 anos ou mais, das classes A, B e C e de todas as regiões do Brasil. A coleta ocorreu entre 24 de abril e 5 de maio de 2026. O levantamento tem 95% de nível de confiança e margem de erro de 2,7 pontos percentuais.

Fonte: UOL

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