Sindicato dos Empregados de Agentes Autônomos do Comércio e em Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas e de Empresas de Serviços Contábeis de Campinas e Região

Trabalho por plataformas alcança 2 milhões no Brasil

Brasil tem 2 milhões de trabalhadores em plataformas digitais, com jornadas maiores, alta informalidade e baixa proteção previdenciária

Entregadores por aplicativo no trabalho principal aumentaram 18,6% – Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Em 2025, cerca de 2 milhões de brasileiros utilizaram plataformas digitais para exercer atividades de trabalho, principais ou secundárias, segundo levantamento divulgado pelo IBGE.

Desse total, 1,8 milhão tinha o trabalho por plataformas como ocupação principal. O contingente correspondia a 1,9% das 102,4 milhões de pessoas ocupadas no país.

O transporte de passageiros concentrava 1,2 milhão de profissionais, o equivalente a 58,9% dos que utilizavam aplicativos para trabalhar. Os serviços de entrega reuniam 585 mil pessoas, enquanto 313 mil atuavam por meio de plataformas de serviços gerais ou profissionais.

Trabalho por plataformas cresce no país

Considerando apenas a ocupação principal, o número de trabalhadores plataformizados aumentou 36,8% em relação a 2022 e 9,1% na comparação com 2024.

O avanço foi ainda mais expressivo entre os entregadores por aplicativo. Entre 2024 e 2025, esse grupo cresceu 18,6%, passando de 274 mil para 325 mil trabalhadores.

Os homens representavam 84,4% dos profissionais vinculados às plataformas, enquanto as mulheres correspondiam a apenas 15,6%, evidenciando uma forte desigualdade na composição desse mercado.

Em relação à faixa etária, 47% tinham entre 25 e 39 anos. Já os trabalhadores com ensino médio completo ou ensino superior incompleto somavam 62,5% do total.

Jornada supera a média dos demais trabalhadores

Os profissionais que atuavam por plataformas cumpriam, em média, 44,7 horas semanais — 5,4 horas a mais do que as 39,3 horas registradas entre os demais ocupados do setor privado.

Mesmo com a jornada mais extensa, o rendimento mensal médio dos plataformizados era de R$ 3.147, praticamente o mesmo dos demais trabalhadores do setor privado, que recebiam R$ 3.148.

A diferença aparece com maior clareza no valor da hora trabalhada. Entre os profissionais de plataformas, o rendimento médio por hora era de R$ 16,20, cerca de 12% abaixo dos R$ 18,40 recebidos pelos demais ocupados.

Informalidade atinge 72,1% destes trabalhadores

O levantamento também revela uma menor proteção previdenciária. Apenas 34% dos trabalhadores plataformizados contribuíam para algum instituto oficial de previdência, ante 63% entre os que não utilizavam plataformas digitais.

A taxa de informalidade chegava a 72,1% entre os profissionais de aplicativos, percentual muito superior aos 42,7% registrados entre os demais trabalhadores.

A flexibilidade foi apontada por 26,8% como o principal motivo para trabalhar por meio dessas ferramentas. Outros 24,6% mencionaram a dificuldade de encontrar outro emprego, enquanto 20,8% citaram a possibilidade de obter rendimentos maiores.

Os dados mostram ainda que 62,7% trabalhavam exclusivamente por meio de plataformas digitais e 62,5% utilizavam apenas um aplicativo, indicando uma elevada dependência dessas ferramentas para conseguir clientes e serviços.

Fonte: Rádio Peão Brasil

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