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Celular ‘rouba’ 53% mais que arma, mostra pesquisa

Uma pesquisa nacional do Datafolha apresentada durante o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em Manaus, revelou dados alarmantes: os crimes digitais já superam significativamente os crimes patrimoniais tradicionais.

Enquanto 22% dos brasileiros com 16 anos ou mais foram vítimas de crimes patrimoniais com interação física entre vítima e criminoso – o equivalente a cerca de 37 milhões de pessoas -, os golpes digitais atingiram 33% da população, representando aproximadamente 56 milhões de brasileiros.

“É um número altíssimo, é uma proporção muito alta, você imaginar que em um período de um ano, um em cada cinco brasileiros foi roubado, assaltado ou furtado”, destacou José Roberto de Toledo no podcast sobre os crimes tradicionais. “Mas se você vai para os crimes digitais, a situação é muito pior.”

A diferença é ainda mais impressionante quando se considera as tentativas de golpes virtuais. Segundo a pesquisa, 36% da população – equivalente a 61 milhões de brasileiros – recebeu algum tipo de assédio digital, seja por telefonema, mensagem ou chamada suspeita, independentemente de ter caído no golpe.

“Isso no último ano, o que dá a bagatela de 56 milhões de brasileiros. Imagina isso, 56 milhões de brasileiros. É mais do que a população do estado de São Paulo inteira. São Paulo, mais a cidade do Rio e mais alguma coisa, é muita gente”, enfatiza Toledo.

O colunista do UOL relatou ter vivenciado pessoalmente uma tentativa de golpe durante o evento. “Hoje de manhã eu estava tomando café da manhã no hotel, conversando com uma outra jornalista, e eu olho na tela e está escrito o nome da gerente do meu banco”, conta. Ao atender, descobriu que se tratava de um criminoso tentando se passar pela instituição financeira.

A sofisticação dos golpes tem aumentado drasticamente, com criminosos conseguindo emular números de telefone de bancos e outras instituições. “Os criminosos conseguem pegar o número de atendimento do banco e emular aquele número para se fazer passar pelo banco”, explica Toledo após consultar sua instituição financeira.

A criminalidade digital se profissionalizou de forma acelerada. “Não é mais aquele sujeito que sozinho vai lá e tenta aplicar um golpe junto com um comparsa. Não, são quadrilhas organizadas”, observa o jornalista. “Uma parte rouba o celular, porque roubando o celular facilita muito aplicar o golpe depois. Aí tem os receptadores que ficam de posse, compram esses celulares e vão fazer o golpe“.

Essa estrutura criminosa inclui especialistas em quebrar a segurança digital dos aparelhos e grupos especializados em lavagem de dinheiro. “É uma indústria mesmo que se formou”, afirma Toledo.

O desafio para as autoridades é imenso. Enquanto o crime se reorganiza rapidamente, as forças de segurança enfrentam dificuldades para se adaptar. “É muito mais difícil para você transformar, por exemplo, uma tropa, as policiais, as polícias militares que são especializadas em policiamento ostensivo, em converter isso em policiais capazes de combater esse tipo de crime, muito mais difícil e lento do que o próprio crime se reorganizar”, destaca o colunista do UOL.

A universalização do acesso aos celulares no Brasil contribui para esse cenário. Segundo a pesquisa, 85% dos respondentes disseram possuir celular conectado à internet, e outros estudos citados apontam para 1,2 aparelhos por habitante no país.

Fonte: A Hora no UOL