Quais os próximos passos para o fim da escala 6×1?
Após avanço na CCJ, propostas entram em fase decisiva de debate político, com votação prevista na Câmara ainda em maio

A aprovação da admissibilidade das propostas que extinguem a escala 6×1 na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, na quarta-feira (22), marca apenas o início de uma tramitação legislativa longa e decisiva. A análise feita pelos deputados nesta etapa se limitou à constitucionalidade dos textos, abrindo caminho para que o Congresso passe agora a discutir o conteúdo prático das mudanças para o fim da escala de trabalho 6×1 realmente acontecer.
Comissão especial será o primeiro teste político
O próximo passo imediato é a instalação de uma comissão especial na Câmara dos Deputados, responsável por debater o mérito das propostas. Esse colegiado terá até 40 sessões para apresentar um parecer, sendo que nas dez primeiras os parlamentares poderão propor alterações ao texto.
É nessa fase que deve ocorrer a consolidação das diferentes iniciativas em discussão, incluindo as PECs que propõem jornada de 36 horas semanais, em modelos como o 4×3, e o projeto do governo federal, que sugere uma alternativa intermediária de 40 horas semanais com escala 5×2.
Votação no plenário exige ampla maioria
Após a análise na comissão especial, o texto segue para votação no plenário da Câmara, onde precisará de pelo menos 308 votos favoráveis em dois turnos. Esse é um dos principais obstáculos, diante da divisão entre parlamentares governistas e da oposição, além da pressão do setor econômico.
A expectativa do presidente da Câmara, Hugo Motta, é levar a proposta ao plenário até o fim de maio, em meio à mobilização popular e à proximidade das eleições.
Senado será etapa final antes da promulgação
Se aprovada na Câmara, a proposta segue para o Senado Federal. Lá, também passará pela Comissão de Constituição e Justiça e por duas votações em plenário, com exigência de ao menos 49 votos favoráveis em cada turno.
Somente após a aprovação nas duas casas do Congresso é que a medida será promulgada, sem necessidade de sanção presidencial, como ocorre com emendas à Constituição.
Governo aposta em alternativa mais rápida
Paralelamente às PECs, o governo do presidente Lula tenta avançar com um projeto de lei em regime de urgência, que prevê a redução da jornada para 40 horas semanais. Por exigir menos votos, a proposta é vista como uma alternativa mais viável no curto prazo.
Ainda assim, há resistência dentro da Câmara, onde parte da liderança política prefere tratar o tema por meio de mudança constitucional, considerada mais abrangente.
Disputa de modelos deve definir texto final
O debate sobre o fim da escala 6×1 deve se fortalecer nas próximas semanas, com uma grande disputa política entre diferentes visões econômicas e sociais. Enquanto apoiadores da proposta destacam ganhos em qualidade de vida e produtividade, setores empresariais alertam para um suposto aumento de custos e possíveis impactos no emprego.
Diante desse cenário, a tendência é que o texto final resulte em um modelo de transição gradual, possivelmente convergindo para uma jornada de 40 horas semanais, como forma de equilibrar as demandas dos trabalhadores com a viabilidade econômica das empresas.
Entenda no infográfico

Fonte: TVT News
