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‘Meu filho morreu por causa de bet’: como vício em aposta destrói mulheres

O vício em apostas online pode afetar famílias inteiras e, em muitos casos, recair de forma desproporcional sobre mulheres que tentam conter danos emocionais e financeiros dentro de casa.

Como uma dívida com bet pode virar crise familiar

Uma dívida ligada a apostas pode desencadear tragédias dentro de casa. Ana Lúcia Ferreira diz que encontrou o filho de 28 anos morto depois de ele tirar a própria vida por causa de dívida com bet.

O impacto do vício não fica restrito a quem aposta. O problema pode atingir quem convive com o apostador, com tentativas de conter prejuízos e de lidar com consequências dentro da família.

Mentiras e rombos financeiros entram na rotina de muitas famílias. A dinâmica inclui esconder apostas, acumular dívidas e gerar conflitos, com pessoas próximas tentando cobrir gastos e reorganizar a vida doméstica.

Por que muitas mulheres acabam “segurando o estrago”

Mulheres costumam assumir a linha de frente para conter perdas causadas pelo vício. Elas podem tentar ajudar o filho a parar de apostar ou cobrir o rombo financeiro deixado pelo parceiro.

O desgaste aparece mesmo quando elas não apostam. A sobrecarga inclui lidar com crises recorrentes e com a instabilidade dentro de casa, enquanto tentam manter a família funcionando.

O alcance do problema aumenta porque cada apostador costuma ter uma rede familiar ao redor. Há milhões de brasileiros em situação de risco ou dependência em bet e que, ao redor deles, há famílias afetadas.

O que profissionais observam em atendimentos a familiares de apostadores

Esposas, filhas, companheiras e mães aparecem com frequência em busca de apoio. “Nos atendimentos que eu realizo é super comum encontrar esposas, filhas, companheiras e mães quase sempre emocionalmente exaustas”, afirmou Angelo Mattioli, psicólogo, economista e autor do livro ‘O Outro Lado da Aposta’.

Parte da sobrecarga vem de tarefas de controle e contenção do comportamento do apostador. Mattioli diz que elas assumem funções para reduzir perdas, como “controlar as contas do apostador, administrar as crises financeiras da casa, vigiar os comportamentos, tentar impedir novas apostas”.

O suporte emocional e material pode se somar a um estado constante de vigilância. “É comum que essas mulheres vivam em estado permanente de alerta”, afirmou Mattioli, ao descrever a tentativa de sustentar a casa e dar suporte à família.

Um caso que ilustra como o vício pode atingir diferentes gerações

A morte de Vinícius é lembrada pela mãe com detalhes do dia em que aconteceu. Ela lembrava como estava o clima no dia, a roupa que ele estava usando, a cena exata em que encontrou o corpo do filho.

As consequências se estendem a quem fica, incluindo companheiras e crianças. O jovem, Vinícius, também deixou a mulher, Tainá, e três filhos pequenos.

Fonte: Universa/UOL