As negociações salariais no Brasil mantêm trajetória de valorização em 2026. No acumulado de janeiro a setembro, 86,1% das 15.122 negociações coletivas analisadas pelo DIEESE garantiram reajustes superiores à variação do INPC-IBGE, assegurando aumento real para os trabalhadores.
Os dados constam na edição nº 73 do boletim De Olho nas Negociações, elaborada a partir do sistema Mediador do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) até 9 de outubro. O estudo indica que apenas 3,4% dos acordos no ano ficaram abaixo da inflação, enquanto 10,5% tiveram reposição idêntica ao índice inflacionário.
No mês de setembro, das 242 negociações registradas, 84,7% obtiveram ganho real e 9,1% empataram com o INPC. A variação real média do mês fixou-se em 1,08% acima da inflação, ritmo superior ao registrado em setembro de 2025 (0,80%), mas levemente inferior ao do mês de agosto (1,12%).
O levantamento também apontou baixa incidência no parcelamento dos reajustes, aplicado em 1,2% dos acordos em setembro e em 1,0% no acumulado do ano. Já o pagamento via reajustes escalonados esteve presente em 17,5% das negociações de setembro e em 12,9% dos acordos acumulados em 2026.
No recorte por setores econômicos, comércio, indústria e serviços tiveram desempenho similar, com ganhos reais em cerca de 87% dos casos. O setor de serviços liderou a maior variação real média do ano (1,45%), seguido pelo comércio (1,34%) e pela indústria (1,26%).
Por outro lado, o setor rural registrou os menores índices do estudo, com ganho real em 71,6% dos acordos e média de 1,05% acima do INPC. Na análise regional, Centro-Oeste, Sudeste e Sul destacaram-se com reajustes acima da inflação em ~87% dos casos, tendo o Centro-Oeste a maior média real do país (1,54%).
O piso salarial médio nacional negociado em 2026 ficou em R$ 1.957, com valor mediano em R$ 1.820. Entre os setores, os serviços apresentaram o maior piso médio (R$ 2.002), enquanto a região Sul registrou o maior piso médio regional do Brasil (R$ 2.028).
Para as negociações com data-base em outubro de 2026, o DIEESE indica que o reajuste necessário para repor a inflação acumulada nos últimos 12 meses será de 4,29%.
Fonte: Redação Mundo Sindical