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Um relatório do NetLab, da UFRJ, mostra como a Meta se beneficia de anúncios políticos enganosos que exploram políticas públicas brasileiras, como o Bolsa Família e o Auxílio Gás. A Meta diz que não permite atividades fraudulentas e que remove anúncios enganosos assim que identificados. O NetLab UFRJ é um laboratório de pesquisa em internet e redes sociais dedicado a diagnosticar o fenômeno da desinformação digital e suas consequências sociais no Brasil.
O relatório encontrou 813 anúncios fraudulentos no repositório de anúncios da Meta nos três primeiros meses do ano. Eles utilizam promessas falsas e descontextualizadas de programas do governo para induzir os usuários a acreditar que têm direito a benefícios, valores ou serviços inexistentes.
Para o NetLab, há fundamentalmente três problemas por parte da Meta. O primeiro é ser a “infraestrutura” para que essas campanhas atinjam públicos vulneráveis. O outro é a possibilidade de microssegmentação dos anúncios, de modo que “usuários específicos podem ser mais suscetíveis a determinadas iscas”. E, em terceiro, a falta de moderação dos anúncios, fazendo com que publicações impulsionadas fiquem no ar por dias.
“No modelo de governança atual, as plataformas digitais criam condições favoráveis à expansão desse mercado fraudulento: sistemas de publicidade microssegmentada, que facilitam o alcance das potenciais vítimas, associados a um ambiente de anonimato e baixa transparência, que dificulta a identificação dos envolvidos”, Trecho do relatório “Fraudes digitais como questão de segurança pública: Como a Meta lucra com anúncios fraudulentos sobre políticas públicas”.
Em ordem, os programas do governo mais explorados em anúncios impulsionados são:
- Valores a Receber (345 anúncios)
- Brasil Sorridente (230 anúncios)
- Minha Casa Minha Vida (67 anúncios)
- Auxílio Gás (62 anúncios)
- Bolsa Família (31 anúncios)
- CNH do Brasil (30 anúncios)
- Carteira de Trabalho (29 anúncios)
- Desenrola Brasil (19 anúncios)
Golpes exploram a confiança nas instituições públicas e no interesse pelos benefícios sociais. Muitos deles contam com identidade do governo, muitas vezes criados com inteligência artificial, e direcionam as vítimas para ambientes controlados por golpistas —como páginas fraudulentas (imitando as oficiais) ou contato via aplicativo de mensagem. Neste último ambiente ocorrem os estágios finais da fraude ou a monetização, como a solicitação de dados ou de pagamentos para liberar o “benefício” do programa.

O relatório diz que anúncios tinham múltiplas versões para ter mais efeito com diferentes públicos. 17% dos anúncios usavam o recurso de criativo dinâmico da Meta, que combina imagens, títulos e textos baseados no perfil das pessoas. Em exemplo da pesquisa, para algumas pessoas aparecia um deepfake do deputado Nikolas Ferreira (PL/MG), para outras o depoimento de uma suposta beneficiária do programa e para outras apenas uma foto de uma cidade.
Pesquisa ainda detectou páginas administradas da China. Um grupo de 18 páginas é gerido do país asiático com publicações sobre políticas públicas. “Apesar dos achados, a Meta não disponibiliza dados de localização detalhados dos anunciantes. A ausência de um padrão de transparência limita a identificação de páginas estrangeiras e impede estimar com precisão a proporção de anúncios fraudulentos pagos fora do Brasil, mas segmentados para consumidores brasileiros.”
Questionada, a Meta informa em nota que aprimora tecnologia para combater atividades fraudulentas. “Removemos anúncios enganosos assim que identificados. Recomendamos que as pessoas nunca compartilhem informações de login e denunciem, pelas próprias plataformas, quaisquer atividades suspeitas. A Meta reforça ainda que coopera e responde a requisições das autoridades nos termos da legislação aplicável”, diz a empresa.
Fonte: TILT UOL