Sindicato dos Empregados de Agentes Autônomos do Comércio e em Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas e de Empresas de Serviços Contábeis de Campinas e Região

Trabalho infantil cai 9,2% em 2025 no Brasil

Mas ainda é realidade de 1,5 milhão de crianças e adolescentes no Brasil.

Queda do trabalho infantil ocorreu principalmente entre beneficiários do Bolsa Família
Queda do trabalho infantil ocorreu principalmente entre beneficiários do Bolsa Família – Imagem: Daniel Cymbalista/Estadão Conteúdo

O Brasil tinha 1,5 milhão de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos em situação de trabalho infantil em 2025, o equivalente a 4% da população na faixa etária e o menor patamar da série histórica iniciada em 2016, mostram dados divulgados hoje pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Número de trabalhadores infantis no país caiu 9,2% em relação a 2024. A redução revelada pela Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) representa 151 mil crianças e adolescentes a menos em situação de trabalho infantil em comparação com o ano anterior.

Do total de jovens identificados nessa condição, 1,141 milhão realizava atividades econômicas. Outros 358 mil praticavam apenas produção voltada para o próprio consumo da família.

Os adolescentes de 16 e 17 anos representam mais da metade de todo o contingente. Essa faixa etária engloba 58,1% do total, seguida pelo grupo de 14 e 15 anos (23,2%) e pelo de 5 a 13 anos (18,7%).

A incidência do trabalho ilegal aumenta com a idade. A taxa é de 1,1% entre crianças de 5 a 13 anos, sobe para 5,9% na faixa de 14 e 15 anos e alcança 14,5% nos jovens de 16 e 17 anos.

A jornada de trabalho semanal costuma ser longa para os adolescentes mais velhos. No grupo de 16 e 17 anos, cerca de 29,6% trabalhavam 40 horas ou mais por semana, enquanto quase metade cumpria ao menos 25 horas semanais.

Perfil dos trabalhadores

Sudeste lidera em quantidade absoluta, mas o Norte apresenta a maior proporção. A região registrou 481 mil jovens no trabalho infantil (3,3% do total da região), ao passo que o Norte teve o maior percentual do país, com 6,3% (249 mil pessoas).

A maioria dos trabalhadores infantis é formada por meninos e pessoas negras. Os homens correspondem a 65,4% do total (980 mil), e a proporção de negros (4,4%) é superior à de brancos (3,2%).Continua após a publicidade

As atividades não agrícolas concentram 83,3% das crianças e adolescentes ocupados. Os setores de comércio e reparação de veículos (29,0%) e agricultura (16,7%) reúnem as maiores parcelas dessa população.

O grupo em situações consideradas as piores formas de trabalho infantil recuou para 525 mil pessoas. O contingente inserido na chamada Lista TIP caiu 6,3% em relação a 2024, sendo composto majoritariamente por homens (72,6%) e negros (68,3%).

A frequência escolar é menor entre as crianças e adolescentes que trabalham. Enquanto 97,5% da população geral de 5 a 17 anos frequenta a escola, a taxa cai para 86,9% no grupo em situação de trabalho infantil.

Impacto do Bolsa Família

A redução do trabalho infantil em lares do Bolsa Família puxou a queda nacional. Dos 151 mil jovens a menos no trabalho infantil em 2025, 144 mil (mais de 95%) pertenciam a famílias beneficiadas pelo programa social.

A incidência de trabalho infantil entre beneficiários do Bolsa Família desceu de 7,3% em 2016 para 4,4% em 2025. O valor aproxima-se do índice registrado no total da população brasileira (4,0%).

Rendimento médio mensal do trabalhador infantil ficou estimado em R$ 936 em 2025. A quantia é inferior ao ganho de jovens que trabalhavam sem estar em situação de exploração infantil (R$ 1.060).

O que é o trabalho infantil?

A definição é estabelecida pela OIT (Organização Internacional do Trabalho). Segundo a entidade, o trabalho infantil é aquele considerado perigoso e prejudicial à saúde e ao desenvolvimento mental, físico, social ou moral das crianças e que interfere na sua escolarização.

Avaliação considera diversos aspectos a respeito das atividades realizadas. O conceito de trabalho infantil considera a faixa etária, o tipo de atividade, as horas trabalhadas, a frequência à escola, a periculosidade e a informalidade.

Nem todo trabalho a partir de 14 anos é considerado trabalho infantil. O módulo anual da Pnad Contínua sobre o Trabalho das Crianças e Adolescentes de 5 a 17 anos explica que a legislação brasileira proíbe qualquer trabalho a menores de 16 anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de 14 anos.

Fonte: UOL

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