Dieese: Apesar dos avanços, desigualdade racial de rendimentos persiste
Apesar de apresentar avanços, dados do IBGE mostram desigualdade racial de rendimentos. Saiba mais sobre os desafios futuros

De acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 57% da população brasileira é negra. Ou seja, a maioria se declara como negra ou parda.
O estudo aponta ainda que os negros também são maioria entre os trabalhadores, somando 55% dos ocupados.
Em boletim especial, divulgado pelo Dieese nesta segunda-feira (18) destaca que nos últimos dois anos, com a relativa estabilidade política, o crescimento econômico do País teve continuidade.
Este crescimento trouxe reflexos positivos sobre o mercado de trabalho, entre os quais, a queda na taxa de desemprego, o crescimento do emprego formal e a expansão dos rendimentos e da massa salarial.
O boletim do Dieese – Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos ressalta ainda que em 2024, 86% das negociações coletivas resultaram em reajustes acima da inflação, com ganho médio de 1,49% nos salários negociados.
As melhores condições do mercado de trabalho, no entanto, não foram suficientes para reduzir a desigualdade racial de renda no Brasil.
No Boletim, é possível observar os principais desafios enfrentados pela população negra no mundo do trabalho.
Os dados analisados pelo Dieese são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PnadC), do IBGE, e referem-se ao 2º trimestre de 2024.
Desigualdade Racial: clique e confira a íntegra do documento
Destaques do estudo ficam por conta de:
- O rendimento médio dos negros é 40% inferior ao dos não negros;
- Os negros com ensino superior ganham 32% a menos que os demais;
- Trabalhadores com o mesmo nível de ensino, diferença que pouco se alterou com a Lei de Cotas;
- Os negros recebem, em média, R$ 899 mil menos que os não negros ao longo davida laboral. Entre os formados, o valor chega a R$ 1,1 milhão;
- Um em cada 48 homens negros ocupados está em um cargo de liderança, enquanto entre os não negros, a proporção é de um para cada 18 trabalhadores;
- Nas 10 profissões mais bem pagas, os negros representam 27% dos ocupados, mas são 70% dos trabalhadores nas 10 ocupações com os menores rendimentos;
- Uma em cada seis mulheres negras trabalha como empregada doméstica. O rendimento médio das domésticas sem carteira é R$ 461 a menos que o salário mínimo.
Fonte: Rádio Peão Brasil
