Pesquisa mostra que 69% dos brasileiros são à favor do fim da escala 6×1, mas Alcolumbre não coloca em votação
Com apoio de 69% da população, sociedade exige que Alcolumbre paute o fim da escala 6×1 antes do recesso parlamentar. Mas o presidente do Senado tem mandato garantido até 2030 e não parece preocupado com o desejo da maioria, nem com o voto dos trabalhadores.
A mais recente rodada da pesquisa Genial/Quaest, divulgada em julho de 2026, revelou que a esmagadora maioria da população brasileira apoia o fim da escala de trabalho 6×1. O tema, que se tornou um dos principais debates sobre qualidade de vida e direitos trabalhistas no país, já avançou na Câmara dos Deputados, mas encontra resistência para ser pautado no Senado Federal.
Diante desse cenário, parlamentares do campo progressista e lideranças de movimentos sociais intensificaram a cobrança pública. Nomes como a deputada federal Erika Hilton e a deputada federal Sâmia Bomfim têm usado suas redes para destacar o anseio popular captado pelas pesquisas e exigir que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, paute a proposta.
A pesquisa Genial/Quaest, realizada entre os dias 10 e 13 de julho com 2.004 eleitores de 16 anos ou mais, revelou que a maioria da população já está informada sobre o andamento da proposta que pode acabar com a escala de trabalho 6×1 no Brasil.
O projeto, que prevê alterações na jornada de trabalho, foi aprovado pela Câmara dos Deputados ainda em maio — com 461 votos favoráveis no primeiro turno e 472 no segundo — e agora aguarda tramitação no Senado Federal.
A pesquisa, registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-07181/2026, tem margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%.
Pesquisa Quaest perguntou o que os brasileiros pensam sobre a escala 6×1
O levantamento da Quaest demonstra que o fim da escala 6×1 não é apenas um debate de nicho, mas um assunto que já tomou conta das casas brasileiras. Segundo a pesquisa, 75% dos entrevistados já sabiam que a proposta de acabar com a escala 6×1 foi aprovada na Câmara e agora tramita no Senado Federal.
Esse alto índice de acompanhamento reflete a importância do tema para a classe trabalhadora, que vive diariamente os impactos desse modelo de jornada. Apenas 25% da população afirmou não saber do atual estágio de tramitação da matéria no Congresso Nacional.
Fim da escala 6×1 tem amplo apoio popular
Quando questionados diretamente se apoiam o fima da escala 6×1, os brasileiros são categóricos: 69% se declaram a favor do fim da escala 6×1. Esse número expressivo evidencia que a mudança na legislação trabalhista é uma pauta de consenso entre a maioria dos cidadãos.
A parcela da população que se diz contra a mudança é de apenas 22%, enquanto 5% não são nem a favor nem contra, e 4% não souberam ou não responderam. A margem de apoio supera com folga as resistências, enfraquecendo os argumentos de setores conservadores que tentam barrar a pauta.
O dado é ainda mais significativo quando comparado com levantamentos anteriores: o apoio se mantém estável desde julho de 2025, quando também estava em 69%, e os contrários caíram de 26% para 22%.
O que o trabalhador vai fazer com o tempo livre
A pesquisa também investigou como os trabalhadores usariam seu tempo caso ganhassem mais dias de descanso. Para 53% dos brasileiros, o objetivo principal é descansar e passar mais tempo com a família. Esse dado escancara o esgotamento físico e mental gerado pelo atual modelo, que priva o trabalhador do convívio familiar.
Em segundo lugar, a necessidade financeira e a busca por qualificação se destacam: 13% afirmam que buscariam outro trabalho ou fariam horas extras para aumentar a renda, enquanto 12% aproveitariam o tempo livre para fazer cursos e estudar.
Outras atividades citadas incluem ir à igreja ou cerimônias religiosas (9%), passear, ir a bares, restaurantes e festas (6%), e viajar (4%). Esses recortes mostram que o fim da escala 6×1 é, fundamentalmente, uma questão de saúde, família e desenvolvimento pessoal.
A expectativa de redução da jornada
Apesar do amplo apoio à aprovação do projeto, a população se mostra dividida quanto à sua aplicação prática na redução efetiva da jornada de trabalho. A Quaest aponta que 50% dos entrevistados acreditam que, se a lei for aprovada, irão, de fato, trabalhar menos horas por semana.
Ainda assim, a proposta segue parada no Senado. Aprovada pela Câmara com ampla maioria, a PEC não foi votada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), porta de entrada para a análise dos parlamentares na Casa. Enquanto isso, os senadores se preparam para o recesso parlamentar — e o projeto continua sem andamento.
Sociedade cobra Davi Alcolumbre para votar o fim da escala 6×1
Os números da pesquisa escancaram o divórcio entre o anseio popular e o ritmo do Senado. Lideranças progressistas intensificaram a mobilização nas redes exigindo que Davi Alcolumbre destrave o projeto. Além de Erika Hilton, Sâmia Bomfim, outros nomes entraram na cobrança pública.
O Pastor Henrique Vieira e o senador Lindbergh Farias também subiram o tom contra a letargia do Senado. Em uníssono com os parlamentares, o ativista Rick Azzevedo, fundador do movimento VAT e um dos líderes dessa luta, vem apontando que fechar os olhos para o clamor de 69% da população é virar as costas para a saúde da classe trabalhadora.
O que é o fim da escala 6×1
O modelo de escala 6×1 obriga o funcionário a trabalhar seis dias consecutivos para ter direito a apenas um dia de folga na semana. A proposta que tramita no Congresso altera a Constituição para abolir essa prática, abrindo caminho para escalas mais humanas, como a 5×2, garantindo mais tempo de descanso, lazer e convívio familiar sem que haja redução no salário.
O movimento ganhou apoio nacional por denunciar que a escala 6×1 é prejudicial à saúde mental e física dos profissionais, operando quase como um regime de exaustão institucionalizado no país.
Saiba como pressionar senadores para votar o fim da escala 6×1
A pressão deu certo na primeira luta pelo fim da escala 6×1. Depois da vitória na Câmara dos Deputados, a campanha “Brasil Quer Mais Tempo” intensificou a pressão sobre os senadores para acelerar a votação das propostas que tratam do fim da escala 6×1.
A mobilização reúne trabalhadores, sindicatos e movimentos sociais em defesa da redução da jornada semanal sem redução salarial.
Clique aqui para participar da Campanha Brasil Quer Mais Tempo
O que é a campanha Brasil Quer Mais Tempo
A iniciativa funciona como uma força-tarefa digital e presencial para pressionar os senadores a apoiarem a PEC 221/2019 e outras propostas relacionadas à redução da jornada de trabalho. A campanha incentiva trabalhadores a enviarem mensagens aos parlamentares e acompanharem o posicionamento de cada bancada.
Aponte o celular para o QR Code e faça parte da campanha pelo fim da escala 6×1

Como votar na plataforma da campanha pelo fim da escala 6×1
- Acesse o site oficial da campanha Brasil Quer Mais Tempo – https://brasilquermaistempo.com.br/
- Clique na opção para participar da mobilização.
- Informe seus dados básicos, como nome e estado.

Qual foi a proposta do fim da escala 6×1 aprovada na Câmara dos Deputados
A Câmara dos Deputados aprovou a PEC do fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho sem diminuição de salários. Com essa emenda, a Constituição determina:
- Nova jornada de trabalho: redução da carga horária máxima das atuais 44 horas para 40 horas semanais de forma gradual
- Ou seja, é o fim da escala 6×1.
- Escala 5×2: garante o direito a dois dias de folga remuneradas por semana, sendo um deles, preferencialmente, aos domingos.
- Salários mantidos: fica estritamente proibida qualquer redução salarial nominal ou proporcional.
- Possibilidade de lei complementar para mitigar impactos sobre micro e pequenas empresas, condicionada à manutenção dos níveis de emprego.
- Implementação progressiva: 60 dias após a publicação, a jornada cai para 42 horas semanais; após mais 12 meses, atinge as 40 horas semanais.
- Fim das cláusulas coletivas incompatíveis após 60 dias da promulgação.
- Abertura para negociação coletiva, permitindo que acordos ou convenções ajustem escalas e compensações, desde que respeitados os novos limites.
- Exceção para empregados hipersuficientes (nível superior e remuneração acima de 2,5 vezes o teto do RGPS, aproximadamente R$ 21 mil), que ficam fora das regras de controle de jornada.
- Regra de transição para contratos públicos com mão de obra terceirizada, permitindo aditamento para reequilíbrio econômico-financeiro em até 12 meses.
Fonte: TVT News
