Golpe Militar – Memória e verdade: lembrar 1964 é defender a democracia
O apagamento da história é parte de uma disputa política, que tenta normalizar o autoritarismo e enfraquecer os direitos humanos

Por Dani Balbi*
Há 62 anos, o golpe de 1964 interrompeu a democracia brasileira e instaurou um regime marcado por censura, perseguições, tortura e assassinatos. Mais de seis décadas depois, o país ainda convive com negacionismo e tentativas de reescrever esse período. Preservar a memória e afirmar a verdade não é apenas um dever histórico — é uma tarefa urgente para proteger a democracia no presente.
Durante a ditadura, segundo a Comissão Nacional da Verdade, mais de 434 pessoas foram mortas ou desapareceram, milhares foram perseguidas, presas e exiladas, enquanto instituições democráticas foram desmontadas. Não se trata de um capítulo distante: o apagamento dessa história é parte de uma disputa política atual, que tenta normalizar o autoritarismo e enfraquecer os direitos humanos.
É nesse contexto que apresentei projetos de lei na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro para fortalecer políticas de memória e verdade. Entre eles, destaco o que propõe a criação do Museu da Memória e da Verdade no antigo prédio do DOPS, no Centro do Rio — espaço que foi símbolo da repressão e que pode se tornar um lugar de educação democrática. Transformar locais de violência em espaços de memória é uma prática adotada em países que enfrentaram seus passados autoritários com responsabilidade.
Outro eixo central é a retirada de nomes de ditadores e torturadores de escolas públicas. Não é admissível educar para a cidadania em instituições que homenageiam violadores de direitos humanos. Renomear esses espaços é um gesto pedagógico e ético, que afirma quais valores queremos transmitir às próximas gerações.
Também propus o tombamento e a desapropriação da chamada Casa da Morte, em Petrópolis, um dos principais centros clandestinos de tortura do país. Preservar esse espaço é reconhecer a gravidade das violações cometidas e garantir que elas não sejam esquecidas.
As demais iniciativas incluem a criação de um programa de memória e verdade nas escolas da rede estadual, a instituição do Dia Estadual da Memória e da Verdade e outras medidas de reparação simbólica e educação histórica.
Memória não é revanchismo — é compromisso com o futuro. Sociedades que enfrentam seus traumas com transparência constroem democracias mais sólidas. Já o esquecimento alimenta a repetição da violência. Lembrar 1964 é, portanto, afirmar que não aceitaremos retrocessos. É dizer, com clareza, que ditadura nunca mais.
*Dani Balbi é Deputada estadual (PCdoB/RJ)
Fonte: ICL Notícias
