Pesquisa revela quais motivos levariam brasileiro a pedir demissão

Pedir demissão quase nunca é uma decisão fácil – especialmente diante do atual cenário de instabilidade econômica e alto índice de desemprego. Mas 27% dos trabalhadores brasileiros pediriam as contas se sua empresa atual não reconhecesse seu valor.

Esse foi o principal motivo profissional apontado na pesquisa FIA Employee Experience, que entrevistou 150 mil funcionários em mais de 300 empresas brasileiras, entre agosto e setembro. O único motivo com índice maior é de cunho particular: “mudança na vida pessoal” (como trocar de cidade, de carreira, ou se casar) foi escolhido por 30%.

A pesquisa, que serve de metodologia para o Prêmio Lugares Incríveis para Trabalhar 2020, a ser entregue pela Fundação Instituto de Administração e pelo UOL em 1/12, desenha um cenário complexo: ela também detectou que a falta de feedback é o principal problema de gestão nas empresas brasileiras.

Ou seja, as organizações estão falhando exatamente no ponto em que mais correm risco de perder seus funcionários.

Valores pessoais estão se tornando inegociáveis

Chamam atenção também as outras duas razões para pedir demissão mais votadas: “falta de ética” na empresa, com 26%, e “falta de equilíbrio entre vida pessoal e profissional”, com 19%. Os participantes podiam votar em mais de uma opção.

Para Alexandre Pellaes, professor e pesquisador especialista em novos modelos de gestão e tendências do futuro do trabalho, os dados mostram “um encontro de visões históricas sobre o trabalho”. “Ninguém aguenta mais a pressão do ‘manda quem pode e obedece quem tem juízo’, mas ainda estamos redesenhando as novas interações”, afirma o acadêmico.

“As pessoas passam a compreender que o trabalho é mais do que o vínculo empregatício. Trabalho torna-se uma relação de ‘ser’, enquanto o emprego à moda antiga, pelo dinheiro, era uma relação de ‘ter’. Felizmente, hoje balanceamos reconhecimento, autorrealização e ética.”

O que estimula a satisfação profissional?

Entre as empresas selecionadas como os 100 Lugares Mais Incríveis para Trabalhar, que também serão anunciadas em 1/12, o problema da falta de reconhecimento profissional se torna ainda mais significativo: ela tem tanto peso quanto as “mudanças pessoais”, ambas com 28%.

E, analisando certos setores, ela se torna até mais votada, como em indústrias diversas (35%), tecnologia (31%), agronegócio (30%), química e petroquímica (29%) e bancos e serviços financeiros (28%).

Por outro lado, se esse reconhecimento vier na forma de uma promoção, há grandes chances de que o funcionário se sinta satisfeito. Quando perguntados sobre quais fatores contribuem para sua realização profissional, 31% escolheram a alternativa “fazer carreira nessa empresa”. Entre os 100 Lugares Mais Incríveis para Trabalhar, esse índice foi ainda mais alto: 33%.

Vale lembrar que a mesma pesquisa revelou que a perspectiva de crescimento também é o principal motivo que leva o brasileiro a aceitar trabalhar numa companhia. A análise por setores também traz insights importantes.

Ela revela outras prioridades, como, por exemplo, autonomia para realizar as tarefas – opção mais votada entre os trabalhadores de seguradoras (35%), energia (35%), tecnologia (34%) e consultorias (34%). Ou a oportunidade de atuar em diferentes áreas – campeã na indústria têxtil (37%) e de saneamento (34%).

Para Pellaes, novamente estamos testemunhando a concorrência entre duas visões históricas do trabalho. “O movimento esperado é que as pessoas queiram ter mais realização, liberdade e autonomia, do que garantia de longevidade no mesmo emprego”, analisa. “Essa é uma característica que vai se acelerando nas novas gerações, novas organizações e novos modelos de gestão.”

Fonte: UOL

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