Trabalhadores de construtora denunciam atrasos de salários e abandono em Rafard

Cinco ex-funcionários da construtora Viasol afirmam que estão sem receber salários há dois meses e foram deixados para trás desde que a prefeitura rescindiu o acordo com a empresa, que era responsável pelas obras do conjunto habitacional Rafard B, em Rafard (SP), atrasadas desde 2016.

A Viasol enviou duas notas para a reportagem. A empresa afirma que a quebra de contrato foi ilegal, que entrou com processo contra a prefeitura e admite que parte dos homens se recusou a ir para outra obra por causa da falta de pagamento. Leia os posicionamentos completos abaixo.

Os trabalhadores dizem que estão sem local para ficar e que a alimentação fornecida pela empresa acabou. “A gente liga para o escritório e eles não atendem, aí fica difícil para conversar com eles”, lamenta o pedreiro Adriano Ribeiro da Silva.

O condomínio de 146 casas populares está atrasado há três anos, o que motivou a rescisão, aponta a prefeitura e a Companhia de Desenvolvimento Urbano e Habitacional (CDHU). Em nota, a CDHU afirma que vai entregar 76 imóveis nas próximas semanas, além de contratar nova empresa para concluir a construção.

Nem colchão

A diretora do Departamento de Assistência Social da prefeitura, Nádia Almeida Quadros, informou que o órgão recebeu uma denúncia na quarta-feira (15) sobre a situação e foi verificar.

Eles descobriram que sequer colchão havia para os trabalhadores. “Trouxemos colchões, bolachas e hoje [quinta] estamos providenciando almoço e janta para eles”, disse Nádia.

A diretora garantiu que a assistência aos trabalhadores ocorrerá até que a situação seja resolvida.

A empresa

Em nota, a Viasol informou que a obra só foi paralisada após um ato ilegal da Prefeitura Municipal de Rafard, que teria rescindido o contrato com a empresa “mesmo estando com valores em aberto, numa quantia muito alta”.

“Mudamos os funcionários para outras obras, porém, dois funcionários que residem na cidade se recusaram a serem transferidos e os três que lá ficaram, também se recusaram a sair da obra, devido a empresa estar com o pagamento atrasado”.

“Vale esclarecer que a alimentação para esses três foi mantida e quanto ao alojamento, também fomos surpreendidos pela falta de higiene e organização dos que lá se recusaram a sair”, alega a construtora.

“Em relação aos pagamentos em atraso por parte da Prefeitura a Empresa informa, que já ingressou com medidas judiciais”.

Além disso, a Viasol afirma que entrou em contato com o sindicato responsável para alcançar uma solução. Depois de 40 minutos do envio da primeira nota, outra manifestação foi mandada. Leia abaixo:

“Informo que com a rescisão do contrato de forma unilateral por parte da Prefeitura, fomos impedidos de avançar com os serviços, entretanto, a Administração a partir dali, assumiu a responsabilidade pelos seus atos, evidentemente que já impetramos ações Judiciais de forma a reverter atos autoritaristas que ferem o direito da população, como pode emitir uma rescisão contratual por final de prazo? seria no mínimo prudente estabelecer um novo prazo, para então a obra ser concluída à considerar que a mesma se encontrava com mais de 95% concluída.

Os mesmos alegam descumprimento por parte da Empresa, quando na verdade a administração não efetuou nenhum pagamento de serviços realizados após fevereiro/2019.

Quanto aos funcionários, os mesmos se recusaram a deixar o local, mesmo assim, nossa empresa vem fornecendo alimentação regularmente, quanto ao estado de higiene do local, depois da rescisão, a Empresa ficou impedida de entrar na obra, deixando assim a organização do local, para aqueles que lá ficaram, pois permaneceram no local, porém sem atividades”.

CDHU

“A CDHU informa que as obras das 146 casas do empreendimento Rafard B já alcançam 96% de execução. A entrega das primeiras 76 moradias está prevista para as próximas semanas. O policiamento do local é feito pela prefeitura, que é responsável pela contratação e execução da obra. Cabe à CDHU o repasse de recursos financeiros conforme o andamento dos serviços.

No mês de julho, a prefeitura pediu a rescisão do contrato firmado com a construtora Viasol por motivos de descumprimento de prazos da empresa. Para não atrasar o cronograma, a CDHU agora vai assumir a obra e contratar nova empresa para concluir, em cerca de dois meses, os detalhes finais das 70 casas restantes – como instalação de fiação elétrica, esquadrias e pavimentação das vias.”

Fonte: G1

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