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Você vai passar 25 anos diante da tela; veja como sair da frente do celular

Um brasileiro pode passar cerca de 25 anos diante de telas ao longo da vida se mantiver o ritmo médio de uso diário, calculam Helton Simões Gomes e Diogo Cortiz, de Deu Tilt, o podcast do UOL para os humanos por trás das máquinas.

No novo episódio, a dupla explica como o celular sequestra a atenção e o que fazer para reduzir o tempo de tela.

Helton conta que desconfiou de um estudo que falava em 52 anos diante de telas e refez as contas com outro levantamento, além de checar o próprio uso no iPhone e no computador. A conclusão, segundo ele, assusta, mas também dá pistas de por onde começar.

“Eu topei com um estudo feito pela NordVPN que mostrava que o brasileiro vai gastar 52 anos na frente de uma tela de celular, de computador e por aí vai. Eles ouviram alguns brasileiros e chegaram a um número de mais de 14 horas por dia e extrapolaram para o tempo de vida. Eu olhei e pensei: não é possível. Fiz perguntas, as respostas não vieram e eu comecei a desconfiar. Fui atrás de uma estimativa de uma consultoria mundialmente conhecida e cheguei ao número de 9 horas e 13 minutos por dia. Fazendo as contas, dá 28 anos, 2 meses e 7 dias diante de telas. Aí eu falei: essa conta está errada porque parece que a pessoa nasceu e já está na frente de uma tela. Então calculei a partir dos 9 anos e cheguei a 25 anos na frente de uma tela”, Helton Simões Gomes.

Para conferir se o que Diogo Cortiz apelidou de “Data Gomes” fazia sentido, ele foi ao medidor de tempo de uso do iPhone e viu uma média de cerca de 4 horas e meia por dia. Só que, ao somar o tempo no computador, o total subiu para 10 horas e meia, acima da média calculada pela consultoria Bain and Company.

Como muita gente nem sabe que dá para ver esse dado no aparelho, aí vai o caminho:

  • Android: Configurações > bem-estar digital > tempo total de tela
  • iPhone: Ajustes > Tempo de Uso > Ver todas as atividades em apps e sites

Diogo Cortiz aponta que o tempo cresce porque os celulares e apps são desenhados com diversas ferramentas para aumentar o tempo de tela.Continua após a publicidade

“São muitas armadilhas que os celulares têm para sugar nossa atenção. Começa pelas notificações, quando você está fazendo outra coisa e ele [o celular] te chama. Mas não para aí: tudo é pensado para remover fricções, para você usar de um jeito muito fluido, sem pedágios, sem barreiras. E tem os sistemas de recomendação, que entendem seu perfil e entregam um conteúdo que não é o mais benéfico para você, mas que vai aumentar o seu tempo de tela. Aí eu fico pensando: quais estratégias a gente tem para dominar de novo a nossa vida digital que foi sequestrada pelo celular?”, Diogo Cortiz.

Na parte prática, Helton lista ajustes simples para tornar o celular menos atraente e criar pequenas travas ao impulso de abrir apps:

1) Colocar a tela em preto e branco

  • Android: Configurações > Acessibilidade > Visão (ou Bem-estar digital) > Filtro de cor / Escala de cinza.
  • iPhone: Ajustes > Acessibilidade > Tela e Tamanho do Texto > Filtros de Cor > Escala de Cinza.

2) Diminuir os sinais visuais dos apps

3) Dominar as notificações

  • iPhone: Ajustes > Notificações > Role a tela para baixo e toque no aplicativo a ter as notificações silenciadas
  • Android: Configurações > Notificações > Notificações de aplicativos > Procure o app a ter as notificações desativadas

4) Adicione fricções no uso (como senhas ou retirar o app da página inicial)

5) Agrupe o uso por categoria

  • iPhone: Ajustes > Tempos de uso > Limite de apps > Adicionar limites > Escolha uma das categorias (redes sociais, jogos, educação etc) > Escolha o tempo máximo de uso por dia para aquele conjunto de apps
  • Android: Configurações > Bem-estar digital e controles parentais > Localize o aplicativo cujo tempo deseja limitar na lista abaixo do gráfico > Toque no ícone de temporizador (ou relógio) ao lado do nome dele >Selecione a quantidade de horas e minutos permitida por dia > Toque em OK

“São dicas de fácil aplicação, mas para mudar um comportamento demora muito mais; já é um começo”, Helton Simões Gomes.

Fonte: Helton Simões Gomes e Diogo Cortiz Colunistas de Tilt no UOL