Você não está doido: busca do Google piora e futuro com IA é imprevisível

(Toda semana, Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes conversam sobre tecnologia no podcast Deu Tilt. O programa vai ao ar às terças-feiras no YouTube do UOL, no Spotify, no Deezer e no Apple Podcasts. Nesta semana, o assunto é: Que papo é esse de IA extinguir a humanidade?; O Google ficou burro? e Mouse para a vida toda)
Não é de hoje que tem gente achando que o maior buscador da internet não tem entregado os melhores resultados.
Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes discutem no Deu Tilt desta semana, o podcast do UOL para humanos por trás das máquinas, o que está acontecendo com o mecanismo de buscas do Google. E mais: qual será o efeito das mudanças recentes que incluíram inteligência artificial?
“Pode ser uma impressão minha, mas antes eu usava o Google com um pouco mais de certeza, gostava mais do serviço. Agora, ele está meia boca”, Diogo Cortiz.
Pesquisadores alemães realizaram um estudo para analisar se o Google está realmente ficando mais burro ou não. Incluíram na análise os buscadores DuckduckGo e Bing. Após 7,5 mil buscas, constataram que, de fato, os buscadores mais acessados do mundo estão menos eficientes.
O Google contestou a conclusão do estudo. Para a empresa, a pesquisa observou uma amostra pequena insuficiente para refletir a qualidade geral da busca.
Os pesquisadores identificaram ainda os motivos para a deterioração da busca online. Para eles, Google e outros estão forçando a mão nas práticas comerciais. Com isso, muitos anúncios e links patrocinados aparecem antes dos principais resultados das buscas.
“Outro aspecto é que os resultados estão vindo com uma menor qualidade textual, por causa de uma geração automática de conteúdo. Além disso, a linha do que é conteúdo útil e o que é spam está cada vez mais tênue”, Helton Simões Gomes.
Até o Google já identificou que a má qualidade das buscas vêm de conteúdo impessoal, feito por máquinas. Estudo recente feito pelo Deepmind, laboratório da empresa especializado em IA, constatou que a busca online está sendo invadida por material feito por robôs.
A qualidade é pior, pondera Diogo, porque esses textos são escritos para as máquinas -com objetivo de ir melhor nas pesquisas- e não para os humanos.
“Aquilo que depõe contra a qualidade da busca foi detectado pelo dono da busca. E o Google viu que esse tipo de uso é feito para manipular a opinião pública, ou seja, não só para aparecer nos primeiros resultados”, Helton Simões Gomes.
‘Embosteamento’
Para determinada ala de observadores do mundo da tecnologia, a queda na qualidade das buscas não é novidade. Cory Doctorow, pesquisador que é referência em estudos críticos da internet, criou um termo para a situação vivida hoje pelo Google: é algo como “embosteamento” da internet, lembra Diogo. O termo, no entanto, vale para qualquer medida tomada por Big Tech para piorar seus produtos.
“Ele fala que as empresas de tecnologia chegaram a um patamar de dominância que os produtos que criam agora servem apenas para ‘embostear’ a sociedade. E elas conseguem fazer isso por terem um poder de monopólio tão grande e lobby para barrar as regulações”, Diogo Cortiz.
Remédio para a situação
Para remediar a invasão dos conteúdos feitos por robôs, o Google até mudou o algoritmo para penalizar resultados compostos por textos e imagens feitas com IA para enganar o mecanismo de busca.
“Quando o buscador do Google notar que alguma coisa foi produzida pelo ChatGPT ou mesmo pelo Gemini, ele vai jogar para baixo na busca, vai começar a esconder”, Helton Simões Gomes.
Em paralelo à situação atual da busca online, o Google começou a implantar o seu próprio sistema de inteligência artificial para processar buscas e mastigar os resultados para os usuários.
“Em 2024 começamos a criar uma nova história que é o futuro da busca. Acho que não vai ser mais igual a gente vem fazendo. E essa dor que muita gente está tendo de achar que o Google está burro é transitória”, Diogo Cortiz.
Para Helton, a relação do usuário com a busca vai mudar. Se antes usava os resultados como possíveis caminhos até achar o que estava procurando, ele agora deverá entender a ferramenta como um elevador que o leva a um lugar específico. Precisará ter mais consciência para entender que nem sempre será o destino certo.
Mouse para a vida toda: quem precisa disso?
Serviços por assinatura estão pipocando por todo lado. De streamings de vídeo e música a academias, passando por produtos alimentícios. No mundo da tecnologia, há algumas inovações questionáveis. A mais recente delas é a de um serviço de assinatura que garante mouses para a vida toda.
No quadro “Arrasta pra cima” do Deu Tilt, o podcast do UOL para humanos por trás das máquinas, os apresentadores Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes encaram a vida como se ela fosse uma rede social. No episódio dessa semana, o questionamento foi esse: Alguém precisa de uma assinatura dessas?
“Cara, eu tô tentando processar isso. Eu tô achando tão idiota a ideia que estou tentando entender”, Diogo Cortiz.
“É uma ideia que no papel faz sentido, porque ele está pensando em receita recorrente onde vai ter que enviar um mouse para alguém de vez em nunca e com isso vai ganhando algum dinheiro”, Helton Simões Gomes.
Gente, se alguém pensou em assinar isso, mande mensagem para nós, queremos conversar com vocêsDiogo Cortiz
De Musk a sociedade secreta: que papo é esse que IA extinguirá humanos?
O avanço da tecnologia vai dizimar os seres humanos? E esse fim vai chegar por meio da inteligência artificial?
No episódio de Deu Tilt desta semana, o podcast do UOL para humanos por trás das máquinas, Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes discutem como essas previsões nasceram e se tem – ou não – fundo de verdade.
“Tem muita gente que coloca a inteligência artificial como uma tecnologia potencial de risco existencial, ou seja, um risco que pode levar à extinção da humanidade”, Diogo Cortiz.
No centro desse temor está a criação de sistemas cada vez mais sofisticados, algo como a AGI (inteligência artificial geral), que terá capacidade igual ou superior à dos seres humanos. Se essa super inteligência não estiver alinhada aos interesses da humanidade, a coisa pode desandar.
Fonte: TILT/UOL
