Mais amplas e descentralizadas, greves de entregadores voltam e denunciam precarização

A pandemia de covid-19 estava no pico de sua primeira onda, em julho de 2020, quando as primeiras greves de entregadores de aplicativo chamaram a atenção do país. Pouco mais de um ano depois, os “breques dos apps” estão de volta mais fortes e descentralizados, mostrando que a auto-organização ainda é a única saída para os trabalhadores.

Em setembro, motoboys paralisaram as entregas por seis dias, em São José dos Campos, protagonizando a greve mais longa do setor, até então. Mas o recorde está prestes a ser batido pelos companheiros de Niterói (RJ), que planejam uma parada de sete dias, a partir da sexta-feira (15).

Outubro deve se tornar o mês mais agitado para a categoria. Jundiaí, Paulínia, São Carlos e São José do Rio Preto já iniciaram a mobilização ou vão começar nos próximos dias. Em Maceió (AL), a mobilização teve início no domingo (10). Lá, assim como no interior de São Paulo, as reivindicações por melhorias também denunciam um altíssimo nível de exploração.

Entre as principais demandas estão o fim da coleta dupla, quando o trabalhador precisa fazer duas ou mais entregas numa mesma saída, sem receber a taxa mínima por cada uma delas. Também há o fim do bloqueio sem justificativa. As plataformas continuam excluindo os motoristas, impedindo-os de trabalharem sem dar quaisquer explicações.

Além disso, os grevistas também denunciam o baixo valor da taxa mínima das entregas: R$ 5,31. Os entregadores também querem a obrigatoriedade de um código como comprovante da entrega em todos os pedidos. A medida serviria para dificultar os bloqueios indevidos.

Vida está mais dura

Se na primeira onda de paralisações, em 2020, as ações ocorriam nas capitais e em apenas um dia. Agora, os breques estão se espalhando, principalmente pelo interior de São Paulo, e chegam há durar uma semana.  Não há resposta para a radicalização dos atos que não passe pela piora na qualidade de vida que afeta toda classe trabalhadora.

Nos últimos 12 meses, o país tem testemunhado o agravamento da crise. O desemprego, a miséria e a fome aumentaram. Grande culpada deste cenário, a inflação já chegou aos dois dígitos (10,78% é INPC para os mais pobres) e também está mais disseminada. Transporte, alimentação, vestuário, aluguel e educação estão mais caros.

Além disso, a gasolina – item essencial para a profissão – encareceu quase 40% no período de 12 meses. Os aumentos consecutivos já estão impactando o setor. Na plataforma Uber, primeira a divulgar os dados da debandada, 25% dos motoristas cadastrados abandonaram a profissão por conta da alta do combustível.

A pandemia fez com que o delivery aumentasse 14% no Brasil, no último período, então, o abandono da modalidade por aplicativo ainda não é sentida. No entanto, a queda nos rendimentos é inegável. Muitos entregadores afirmam que precisam trabalhar por 12 horas, por dia, para receber um salário mínimo (R$ 1.100).

Insegurança

Além da exploração das plataformas, os entregadores de delivery também sofre com a falta de segurança no trânsito. Segundo o Ministério da Saúde, de março de 2020 a julho de 2021 foram 308 mil internações de pessoas acidentadas no trânsito em todo o Brasil.

Destas, 54% delas eram motociclistas, ou seja, 167 mil. O levantamento da entidade mostrou ainda que, desse total, 85% eram homens jovens, com idades entre 20 e 29 anos. Nesta faixa etária estão grande parte dos trabalhadores de aplicativos.

Todo apoio

Desde as primeiras mobilizações de entregadores, em 2020, a CSP-Conlutas tem apoiado as iniciativas de auto-organização da categoria, bem como as paralisações. É fundamental que todas as entidades de classe demonstrem solidariedade ativa no enfrentamento à precarização do trabalho e da vida.

Fonte:  CSP-Conlutas

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