Mais trabalho, menos renda: centrais querem denunciar a ‘reforma’ nas ruas

“Não é a Previdência que determina o crescimento econômico. O crescimento econômico é que determina a sustentabilidade da Previdência”, diz economista 

Além das manifestações programadas para sexta-feira (22) em todo o país, as centrais sindicais querem “ocupar espaços” nas ruas para denunciar à população os efeitos negativos da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 6, de “reforma” da Previdência. O resumo da proposta, afirmam, é que o governo pretende aumentar o tempo para que o trabalhador se aposente e reduzir a renda daqueles que conseguirem cumprir todos os requisitos.

“É um projeto antipopular, antipaís, um projeto nefasto, que a população tem de barrar”, afirmou o secretário-geral da CUT, Sérgio Nobre, durante evento organizado pelo Dieese que reuniu as centrais na sede do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo. “Essa proposta do Paulo Guedes (ministro da Economia), onde foi implementada, foi uma grande tragédia”, acrescentou.

Ele lembrou que haverá duas manifestações principais na sexta: às 7h em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, saindo da fábrica da Ford, ameaçada de fechamento, e a partir das 16h no vão livre do Masp, na Avenida Paulista. E defendeu a unidades das centrais em torno do tema: “Todas as vezes em que a gente esteve junto, conseguimos vitórias”.

O Dieese preparou vários materiais para “traduzir” a PEC em suas principais consequências. O instituto criou uma calculadora em que o trabalhador pode simular como seria sua aposentadoria pelas regras atuais e conforme as mudanças pretendidas pelo governo. “É brutal a perda de direitos”, diz o dirigente da CUT. Há ainda uma nota técnicamostrando como as mulheres são prejudicadas com as propostas.

A economista Patrícia Pelatieri observa que a PEC se junta a outras iniciativas do governo, incluindo o anterior, como as leis que congelaram os gastos públicos (“Começa o desmonte da capacidade de investimento do Estado brasileiro”) e da terceirização irrestrita, além da “reforma” trabalhista. “Quando você desestrutura o mercado de trabalho, o sistema previdenciário sofre. O sistema precisa de um mercado formalizado, com os trabalhadores contribuindo.”

Os argumentos do governo não se sustentam, afirma Patrícia, lembrando que para aprovar a “reforma” trabalhista também se afirmava que as mudanças eram necessárias para fazer crescer a economia e criar empregos. Um ano depois, a economia patina e as vagas abertas são predominantemente informais.

Ela aponta uma das principais contradições do discurso governista, que tenta convencer que a PEC 6 é indispensável. “Não é a Previdência que determina o crescimento econômico. O crescimento econômico é que determina a sustentabilidade da Previdência.”

Em vez de combater privilégios, diz Patrícia, a “reforma” tira de quem já tem pouco e “reduz uma política de proteção social a meros números entre receita e despesa”, além de substituir os princípios da solidariedade e da universalidade pelo individualismo. “A capitalização remete ao trabalhador toda a responsabilidade pela sua previdência”, lembra, ao observar que a realidade brasileira mostra que metade dos trabalhadores não consegue completar seis meses de contribuição por ano.

“Quem mais perde são as mulheres, os mais pobres, os trabalhadores rurais. O centro da medida é tirar da Constituição o direito à aposentadoria e, por outro lado, entregar a previdência pública para o rentismo, para os bancos”, resume o secretário-geral da Intersindical, Edson Carneiro, o Índio. “O governo diz que vai economizar R$ 1 trilhão (com a reforma). Esse trilhão vai sair da economia real e vai diretamente para o sistema financeiro.”

“A gente não tem nenhuma ilusão de que essa reforma pode ser melhorada”, afirmou Luiz Carlos Prates, o Mancha, da coordenação do CSP-Conlutas. “O objetivo é entregar tudo nas mãos dos bancos”, reforçou, criticando ainda a viagem de Jair Bolsonaro aos Estados Unidos “oferendo de bandeja o nosso país”. Sérgio Nobre, da CUT, lembrou que os metalúrgicos do ABC queriam que o presidente incluísse a Ford na pauta com Donald Trump, mas o mandatário preferiu “visitar a CIA”.

“Essa proposta não beneficia ninguém que depende de aposentadoria. Aumenta o tempo de trabalho e diminui o valor da aposentadoria. Nossa obrigação é levar essa revolta para as bases”, disse o secretário-geral da CGTB, Carlos Pereira. O presidente da Nova Central em São Paulo, Luiz Gonçalves, o Luizinho, informou que os ônibus deverão atrasar sua saída das garagens na sexta-feira, circulando apenas a partir das 5h.

Para o secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna, o debate sobre a Previdência é importante, mas a proposta do governo é ruim para a sociedade. “É ruim porque privilegia um sistema de previdência privada.”

O secretário-geral da CTB Wagner Gomes destaca a importância da mobilização de 22 de março para a luta contra a PEC da Previdência. “O povo precisa saber que ele vai levar a pancada. O ato do dia 22 é o começo de um processo de esclarecimento sobre a proposta”

Fonte: Rede Brasil Atual/Minha Aposentadoria

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