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Menu do Burger King tem bilionários cariocas e empregado impedido de urinar

Um vídeo que bombou nas redes sociais, nesta sexta (19), transformou o Burger King em um bom exemplo do que é a desigualdade social brasileira.

Um atendente de um quiosque da rede em Aracaju afirmou que foi impedido de ir ao banheiro. Consequentemente, urinou nas próprias calças. Disse que, se sair, leva advertência; caso a advertência se repita, demissão por justa causa. No vídeo, reclama que isso “é revoltante, totalmente inaceitável”.

A rede de lanchonetes afirmou ter afastado os envolvidos e lamenta a situação.

O sócio majoritário do Burger King é a 3G Capital. Três dos sócios-fundadores da gestora de fundos estão entre o cinco mais ricos do Brasil, segundo levantamento da revista Forbes de dezembro de 2022. Jorge Paulo Lemann (R$ 72 bilhões), Marcel Herrmann Telles (R$ 48 bilhões) e Carlos Alberto Sicupira (R$ 39,8 bilhões), os três nascidos no Rio, figuram em primeiro, terceiro e quarto lugares respectivamente.

Durante anos, Lemann, Telles e Sicupira foram apontados como exemplos a serem seguidos pela Faria Lima. Compravam empresas, impunham metas agressivas, cortavam custos em toda a estrutura. O que incluiu eliminação de benefícios, a redução da folha de pagamentos, fechamentos de postos de trabalho, pressão por aumento de produtividade.

Enquanto os acionistas estão excitados com os dividendos, o andar de baixo vai tentando se adaptar. Mas recentemente a imagem de competência do trio foi atingida pela fraude contábil de R$ 20 bilhões envolvendo as lojas Americanas, dos quais são controladores.

Durante o escândalo, muito se discutiu a respeito da contabilidade criativa e da falta de transparência. Contudo, o momento é propício para discutir também a questão da cultura de trabalho de grandes organizações guiadas pelo corte de custo.

Não deixa de ser perturbador que uma empresa tenha, de um lado, as pessoas mais ricas do Brasil e, do outro, José Vinicius Santos, que se mijou nas calças porque não pode sair para ir ao banheiro uma vez que metas precisam ser alcançadas.

Muita gente boa vai dizer que o culpado é apenas o chefe direto do rapaz. Sim, no universo paralelo do mercado, investidores nunca têm culpa de nada. Lá, a superexploração do trabalho é sempre um desvio de caráter de indivíduos, nunca um modelo de negócio.

Esse ponto de vista está mudando um pouco com grandes fundos de investimento, principalmente estrangeiros, preferindo alocar seus recursos em empreendimentos com políticas sociais, ambientais e de governança. A mudança, porém, é mais lenta do que a dignidade da atual geração de trabalhadores precisa.

Fonte: Coluna Leonardo Sakamoto/UOL

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