Pesquisa aponta quase 100% de servidores doentes na Educação e na Saúde do setor público estadual
Quase 100% de profissionais da Educação pública estadual associam adoecimento ao trabalho; na Saúde pública estadual são mais de 80%
Pesquisa aponta alto índice de trabalhadores com doeneças relacionadas ao trabalho nos setores da Educação e da Saúde no serviço público estadual. Os dados completos serão apresentados nesta terça, 5, às 10h, no Dieese. Levantamento foi feito em parceria entre SindSaúde-SP, Apeoesp, Afuse e a Frente Parlamentar pela Saúde e Direitos do Funcionalismo Público Estadual, coordenada pela deputada estadual Professora Bebel (PT), presidenta licenciada da Apeoesp.
Uma enquete qualitativa inédita sobre “Condições de trabalho e saúde do funcionalismo público da Educação e da Saúde” será lançada nesta terça-feira, 5 de maio, às 10h, na sede do Dieese, em São Paulo.
Veja nas tabelas a seguir, a associação entre trabalho e adoecimento físico, mental e psíquico, de acordo com a pesquisa:
Educação pública estadual
Adoecimento mental ligado ao trabalho
- 52,8% tiveram problemas mentais nos últimos 5 anos
- Ansiedade/pânico: 41,0%
- Distúrbios do sono: 33,5%
- Depressão: 29,8%
- Burnout: 19,9%
- 24,8% se afastaram do trabalho por saúde mental
Saúde pública estadual
Adoecimento mental ligado ao trabalho
- 44,5% tiveram problemas mentais
- Ansiedade/pânico: 29,4%
- Distúrbios do sono: 31,9%
- Depressão: 25,2%
- Burnout: 12,6%
- 16% se afastaram do trabalho por saúde mental
Adoecimento físico
Adoecimento físico também cresce
Educação
80,2% associam ao trabalho
Saúde
72,3% associam ao trabalho
Principais problemas:
- Dores musculares e articulares
- Problemas de coluna
- Pressão e problemas cardíacos
- Problemas gastrointestinais
Quem realizou a pesquisa
A pesquisa foi elaborada a partir de iniciativa vinculada à Frente Parlamentar Pela Saúde e Direitos do Funcionalismo Público Estadual.
A frente parlamentar é coordenada pela deputada estadual Professora Bebel (PT) e presidenta licenciada da Apeoesp, juntamente com a Apeoesp – Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo, AFUSE – Sindicato dos Funcionários da Educação do Estado de São Paulo, e SindSaúde-SP – Sindicato dos Trabalhadores Públicos da Saúde no Estado de São Paulo, e contou com o apoio técnico do Dieese – Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos.
Ferramentas digitais aumentam vigilância e controle sobre o trabalho
Além do impacto direto na saúde, os dados da pesquisa evidenciam o avanço da chamada gestão algorítmica no cotidiano dos trabalhadores.
Segundo o levantamento, 86,3% dos profissionais da Educação ouvidos na pesquisa associam o uso de ferramentas digitais ao aumento da vigilância e controle sobre o trabalho, enquanto 78,3% relacionam esse processo à intensificação de metas e cobranças individuais.
Para a deputada Professora Bebel, os resultados revelam uma transformação profunda nas relações de trabalho no setor público. Ela explica que: “Estamos diante de um modelo que intensifica o controle, amplia a pressão por metas e impacta diretamente a saúde dos trabalhadores. Quando quase a totalidade dos profissionais da Educação associa o adoecimento mental ao trabalho, isso não pode ser tratado como algo pontual — é um problema estrutural que precisa ser enfrentado”.
Impacto da tecnologia no trabalho
- 86,3% associam tecnologia a mais vigilância
- 78,3% apontam aumento de metas e cobranças
- Mais tarefas dentro e fora do expediente Intensificação do ritmo de trabalho
- Intensificação do ritmo de trabalho
A parlamentar também destacou que o processo de digitalização, sem regulação adequada, tem ampliado a sobrecarga e alterado a dinâmica do trabalho nas redes públicas. Segundo ela, “a tecnologia deveria contribuir para melhorar as condições de trabalho, mas o que vemos é o contrário: aumento de tarefas, intensificação do ritmo e mais controle sobre o trabalhador”.
Os dados da enquete indicam ainda que o uso de ferramentas digitais tem sido acompanhado por aumento do volume de tarefas e do ritmo de trabalho, tanto durante quanto fora do expediente, reforçando a percepção de sobrecarga entre os profissionais.
ALERTA: afastamentos e doenças físicas também avançam entre servidores
- 52,8% dos profissionais da Educação relatam problemas mentais
- Ansiedade e pânico lideram os diagnósticos
- 80,2% associam adoecimento físico ao trabalho (Educação)
- 86,3% apontam aumento da vigilância digital
Realizada entre dezembro de 2025 e março de 2026, a pesquisa se baseia em respostas de integrantes do funcionalismo estadual da Saúde e da Educação, e traz um diagnóstico sobre os efeitos da digitalização nas condições de trabalho e no adoecimento dos trabalhadores, entre outras informações.
O lançamento reunirá integrantes da Frente Parlamentar, representantes de entidades sindicais, pesquisadores e parlamentares, e tem como objetivo ampliar o debate público sobre o adoecimento no serviço público e a necessidade de políticas que garantam condições dignas de trabalho.
Serviço
Lançamento da pesquisa sobre “Condições de trabalho e saúde dos trabalhadores da Educação e da Saúde no serviço público do Estado de São Paulo”
- Dia 5 de maio (terça-feira), às 10h
- Local: No auditório do Dieese (R. Aurora, 957 – Auditório Walter Barelli – Santa Ifigênia – São Paulo – SP)
Fonte: TVT News
