Mulheres contam preconceito sofrido com maquiagem e esmaltes no trabalho

Não são raros os casos de mulheres que já sofreram preconceito por causa de uma produção mais caprichada no trabalho. Infelizmente, maquiagem e cores de esmaltes nada básicos incomodam chefes e até outros colegas de profissão, principalmente nas áreas consideradas mais conservadoras. A seguir, conheça a história de cinco mulheres.

“Recebi regras de maquiagem por e-mail”
“Logo que comecei a trabalhar em um escritório de advocacia ainda não sabia que teria de seguir regras impostas de última hora. Sempre gostei de me maquiar, usar batom e unhas pintadas, mas quando ia bem produzida eu recebia e-mails endereçados apenas para as mulheres da empresa sobre não usar esmalte preto ou cores na maquiagem que eles consideravam chamativas. Pediam também para tomar cuidado com roupas que podem ‘desviar a atenção’. Para reforçar as regras por lá, o escritório ainda dava aulas de como as funcionárias deviam se vestir. Blusas com qualquer estampa foram vetadas, assim como saias, colares e saltos finos. Os esmaltes deveriam ser claros e para a maquiagem nada de batom vermelho e sombras escuras e brilhantes. Ensinaram até que o ideal era uma sombra marrom clara e um batom cor de boca”. R.B.*, 21 anos, estudante de Direito.

“Tirei o batom vermelho para não perder o cliente”
“Comecei a trabalhar aos 17 anos como promotora de eventos, bartender e figurante para comerciais de tevê. Amo maquiagem e não me envergonho de usar um batom vermelho em pleno dia. Quando estou inspirada, misturo estampas, batons coloridos e geralmente a receptividade é boa. Comentários como: ‘você vai assim?’ fazem parte do meu dia a dia. ‘Vou, e daí?’, costuma ser minha resposta padrão. Ter de usar mais maquiagem porque o cliente vai gostar era uma recomendação feita pelas agências. No ambiente onde todas as mulheres estavam exageradamente maquiadas, quem não estivesse era praticamente invisível. Ter que tirar o batom vermelho pelo anseio do que vão pensar não faz parte das minhas preocupações, mas aconteceu atualmente quando fui apresentar uma proposta para um cliente da área da saúde. Em um ambiente todo branco, eu me destacava e, a pedidos, troquei o batom para um tom mais leve. Nenhum dos casos me agradou, afinal, não é a maquiagem ou a roupa que define quem sou. Ter liberdade para expressar nossa autenticidade é o mínimo que precisamos para viver em harmonia com as diferenças”. Mayara Castro, 26 anos, dá consultoria para pessoas que querem criar sua reputação online.

“Tirei o esmalte para não perder o emprego”
“Trabalhei como vendedora para uma marca de luxo com loja em shopping. A maquiagem permitida era batom vermelho por uma questão internacional que a rede segue como regra, mas quem não pegasse leve no make geral e na cor de esmalte recebia uma carta de advertência e, em último caso, demissão por insubordinação. Em algum momento a empresa alertou que unhas claras eram ideais, pois não competiam com as cores das bolsas que estavam à venda. Na hora de manuseá-las, elas [as bolsas] precisavam ser o destaque. Mas quando voltei de uma folga de dois dias seguidos com as unhas pintadas de rosa, a gerente olhou para a minha unha com reprovação e eu não me senti bem com aquilo. Imediatamente peguei o removedor e comecei a tirar tudo. O kit de primeiro socorros da loja que tem remédios para dor de cabeça e cólicas, também tem um frasco de removedor de esmaltes. E desde quando removedor ajuda alguém que está passando mal? Escutei ainda que não importava como eu era bonita, a cliente da loja precisa sempre se sentir mais bonita do que eu”, diz L.A.*, é vendedora no Rio de Janeiro.

“Não aceito desaforos, beijei a testa dela com batom 24h”

Fonte: UOL

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